Aquele que em mim habita: Pai, patrão, patriarcado

novembro 5, 2016 brybru

Após uma ótima noite ao lado do menino-homem companheiro atual de aventuras, adormeço, tardiamente por tanta excitação, e sonho. Esses sonhos, sempre revelando o que nem sempre desejamos que se revele.

Sonho que estamos em franco ato de amor, na casa de seus pais, e estes, que deveriam chegar às 10 horas da manhã, se antecipam e chegam um pouco antes de amanhecer. E o Pai dele nos flagra em pleno sexo oral. Eu me envergonho, me enovelo em mim mesma, escondendo a face. Seu Pai, puxa os lençóis sobre ele, tentando encobrir e fazê-lo sentir-se culpado, envergonhado da situação.

Seu Pai vai impedir que o restante da família chegue até onde estamos, segurando-a com conversas e distrações. Me “recomponho”, visto-me e seu Pai, na figura de um anão de olhos azuis, me oferece água para beber, aceito me sentindo alegre por o ter como aliado. Poucos segundos se passam e sinto a animosidade Dele em forma de ironia ácida. Ele me disse uma frase, que não consigo me recordar de forma alguma (talvez algum conteúdo inconsciente de grande impacto, para o qual ainda não esteja pronta IRL – in real life) e sinto nela todo o Seu desprezo por mim.

Procuro desesperadamente sair dessa situação. Mas antes de sair – nesse momento o sonho se arrasta, vejo uma família imensa ali, entre eles a Carol, amiga de faculdade, e penso: “será a Carol da Família?”

Consigo ir saindo daquele espaço, meu companheiro ao meu lado, passo ao lado de seu Pai e sussurro em Seu ouvido uma resposta irônica à frase por Ele dita, àquela mesma da qual eu não me recordo. Agora a figura Paterna é um homem alto e magro, não mais o anão de olhos claros.

Esse Pai fala bem alto ao filho, meu companheiro de aventura: fode bastante com ela. Fode muito. Mas depois volte para sua Família.

Acordei.

IRL

Temos escolhas a serem feitas. Entre elas optar pelo morno e doentio mundo de pessoas comuns. Esse que gera depressões, cânceres, loucuras e que perpetuam a mesmice, que não percebem ser “habitantes de um planeta errante, e que não fazem perguntas sem solução”. Desperta, no caminho para casa, percebo que, parodiando a amiga dos astros que afirma que “Marte em conjunto a Plutão orienta sobre nossa liberdade de ação, orientando a mantermos nossos olhos bem atentos para iluminar nossas escolhas!”, tenho escolhas a serem feitas.

E me angustio, pois tento ensaiar o mundo da “normalidade” e só vejo tristeza. Estar com esse menino-homem tem sido uma tarefa árdua de re-significar a vida, de quebrar padrões, de entender todas as opções por mim feitas nos últimos anos. Penso em encontrar alguém, da minha idade (55 anos), ou próxima a ela, que me proporcione companhia integral, que me “ame”. E só vejo tristeza. O que é “normalidade”? Abrir mão dessa montanha russa de estados emotivos, desse redemoinho transformador e ampliador da consciência, que me traga o êxtase que tem me trazido? E não é algo meramente de conteúdo sexual. Não mesmo. É também, mas não só. Tenho uma percepção diferente deste processo. Algo alinhado a um caminho espiritual.

E ao pensar em deixar essa experiência de lado, em busca de algo mais “certo”, enlouqueço de dor.

A escolha está feita!

E ela tem seu preço!

O preço é transcrito em sonhos. Neste sonho para começar.

O Pai que em mim habita. Aquele que censura o ato de amar. Que censura a mulher envergonhada de sua condição, de seu lugar no tempo, tão diferente do tempo de seu menino companheiro de aventura. Condição essa dada pelos donos de sua vida. Os Patrões das mulheres submissas que a vida toda introjetaram seus deveres, suas obrigações. Patrões que decidem o segundo, terceiro ou décimo quinto plano a que será relegada. Que ditam como nos vestir, nos comportar, o que dizer e aonde ir. Que profissão seguir e a quem amar.

Aqueles que tornam o processo de envelhecer, tão natural em todos os seres, em algo pesaroso para muitas mulheres. Que valoram comercialmente uma mulher no seu envelhecer,  agravado pelo desgaste natural de tantos encargos dado ao feminino.

A quem amar. Esta é a questão do sonho. “Você, macho menino, pode foder com ela!”. E esse foder traz a ambiguidade entre o prazer e a destruição. Vá lá, foda com ela. Mas depois se recomponha e faça seu papel de perpetuação do Patriarcado “estrutural e estruturante”. Reproduza essa merda toda. E volte pra sua família, bem ao gosto do último estatuto “cristão”.

E esse Pai cresce no sonho. A censura que ele representa, mínima, anão de olhos claros, que sempre seduzem, se agiganta. Uma censura maior, mais ameaçadora. “Vá lá, e fode ela.”

A pior constatação, é que este sonho é Meu. Este é meu Pai, meu Patrão, o Patriarcado entranhado que leva a me enovelar de vergonha. É minha essa censura!

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