Harmonia absoluta

abril 19, 2013 brybru

Há algum tempo que deixei de registrar meus sonhos. Medo de olhar para o que eles me dizem? Cansada de ler e reler mensagens do que foi, é e será? Das mensagens sobre a minha eternidade?

E é só você me aparecer em sonho que tudo volta a ficar nebuloso. Minha ascendência em gêmeos há de me matar. Vou morrer sem saber se caso ou se compro uma bicicleta.

Estranha essa minha mania de entregar meu poder a outros. Karma? Culpa? Memória genética? Será que uma boa Constelação familiar me devolveria minha essência e eu poderia, enfim, parar de esperar?

Esta espera me foi eternizada em um sonho. Sonho fragmentado de uns bons anos atrás. Da época em que eu não me via sonhadora. Não tinha me dado conta desta capacidade, deste gift.

Antes de 2000, muito antes…

“Eu me vejo como uma velha prostituta, gerenciando um bordel. Várias meninas sob a minha responsabilidade. os outro me diziam que eu era velha. Eu não me sentia assim. Lembro-me do moço lindo, entrando pela casa em busca de diversão. Tinha a pele bem clarinha e os cabelos bem negros. Recordo-me que me apaixonei intensamente por ele. Tenho a nítida percepção de que ele também estava se interessando, mas por uma das meninas novinhas da casa. Foi um sonho muito rápido e muito intenso. Sentimentos puros. Ainda muita paixão e esperança.

Um lapso acontece e me vejo em outro lugar. Continuo a velha prostituta, agora fazendo ponto em uma esquina. Parecia o movimento do que eu imagino ser o início do século passado. Eu estava na rua, havia um pregador fazendo um discurso sobre o fim do mundo. Lembro-me de um carro parando e o moço, agora casado com a menina nova do bordel, despendem-se de mim. Estão partindo da cidade para uma nova vida. Ao sair com o carro, duas crianças, uma menininha e um menininho, seus filhos, ficam a olhar pra mim pela janelinha de trás.

Volto a fazer o ponto na rua e vejo no horizonte um cometa passando lento no entardecer do céu. A voz estridente do pastor anunciando o fim de tudo. Olho para o cometa e tenho a certeza de que tudo é eterno e que essa espera nunca terá fim.”

Nesse tempo, já acordada, apenas a impressão muito forte de todos esses sentimentos.

Em 2000 passei por uma crise no casamento que muito parecia o fim do mundo mesmo. E nem sei como fui parar em uma terapia chamada Renascimento. Respiramos, respiramos em dois tempos, sem pausa, e entramos em alcalose.  Explicações fisiológicas à parte, consegui reviver logo na minha primeira sessão, o meu nascimento físico. Sensações energéticas desmedidas. Sentia a pressão da minha cabeça sobre uma superfície dura, como se eu estivesse mesmo forçando meu nascimento. Vi uma enfermeira me dizendo que era necessário cuidar de todas as crianças que nasciam no mundo, do quanto era importante que elas fossem bem acolhidas neste momento.

Na segunda sessão, vi minha mãe, já falecida em sua forma de Luz. Acompanha de duas crianças. Duas meninas também falecidas. Nenhuma das duas conhecidas, não desta vida. Mas eu sabia quem elas eram. Também em forma de Luz, as duas.

Na terceira sessão, me vejo, depois de muito respirar, o lapso de tempo perdido do sonho. É o momento em que me vejo discutindo com o moço do bordel. Ele estava me deixando para se casar com a moça nova. Foi uma das sensações  mais intensas de emoções retornando. Eu estava ali, com ele, brigando, querendo que ele não me deixasse. Era muito doloroso tudo aquilo. Quando voltei e me acalmei dessa dor de respirar, tive certeza de que nunca havia sido apenas um sonho. Memórias que me aprisionavam a uma forma de ver a vida sem esperança. Como uma enfadonha eternidade de repetição de padrões. Esperando mais um fim do mundo, ou de uma encarnação em um mundo de pessoas absurdas que culpabilizam o outro e tentam salvar almas alheias, como o pastor pregando na rua pretendia.

Dizem que um momento traumático fica impresso em nosso corpo sutil emocional. E esse trauma pode ser algo banal, como o abandono de um amor, mas que para o ser que passa por essa experiência, pode ser uma cicatriz profunda. Creio que meu sonho começou, entre outros tantos, a me preparar para o dom de sonhar. A memória liberada na sessão de Renascimento também era mais uma prova da eternidade a mim concebida. Hora de desapegar e saber-se eterna.

Hoje, após sonhar com você, também meu companheiro de outra vida, luto para não me entregar ao tédio de me ver esperando mais esta fase terminar. Você sempre foi muito intenso desde que surgiu em minha vida.

Essa minha indecisão geminiana me reporta a questão do desapego – falso – que alguma pessoas insistem em me dizer. Desapegue-se. Talvez eu tenha que revelar o que anda faltando nesta história de nós dois que anda impressa em mim. Você me visitar no mundo astral-onírico, real demais por sinal, não fala do meu apego. Me fala que ainda não está finito. Temos toda a eternidade pra entender o que for necessário. Mas sinto falta de tua alma amiga. Eu sei que você está aí, aqui e  sempre. Eu sei de tudo isso. Eu só não quero mais ficar na esquina esperando o fim de tudo, ouvindo loucuras e longe de tudo o que amo.

Eu tentei. Cada história, um compromisso. Cada compromisso, um amor.

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