Deixem-me chorar

fevereiro 11, 2013 brybru

Dizem, e eu acredito também, que para que algo novo entre em nossa vida, precisamos nos desfazer do que é velho em nós.

Em agosto do ano passado eu adoeci. Foi uma crise violenta de urticária com direito à adrenalina e tudo no hospital. Fiquei buscando razões clássicas para essa alteração. Uma tintura de cabelo estragada, excesso alimentar de hambúrgueres condimentados, leite e açúcares em demasia, a meia calça sintética….

Mas eu sabia que a razão dessa manifestação violenta estava além do material. Mesmo assim, me entupi de medicamentos antialérgicos a fim de suprimir os sintomas. Mudei de tintura, diminuí o consumo de alimentos alergênicos, parei de pintar minhas unhas. Mas eu sabia que nada disso teria resultado. Tenho uma formação dita “alternativa” em saúde que sempre me conduziu a outro raciocínio diagnóstico. Havia algo muito errado, eu sabia, e estava dentro do que se chama Shen, dentro do coração.

Acreditei ter relação com o rompimento arrastado de uma relação recente. Essa relação me trazia bastante alegria e contentamento. E quando acabou foi bem difícil para mim. Arrastei um outro basta por quase 12 anos, e cujo final foi uma longa agonia. Um arrastar de medos, raiva e vingança.

Eu sabia qual era o motivo dessa coceira. Era como se eu quisesse continuar sofrendo. Culpa, castigo, medo. E, de tanto suprimir os sintomas, a coceira, essa energia instalada na pele, se aprofundou para o pulmão. E lá me vejo, de novo, tentando justificar esse bicho que me queima nos brônquios e me rouba o ar. Poluição, alimentação inadequada, falta de exercícios. Não que tudo isso não tenha sua parcela de contribuição para o adoecer. Mas eu falava de tudo, mas não queria falar de minha raiva e da tristeza pelas duas situações de perda. Eu até admitia que essa tristeza e raiva vinham da minha impotência diante das duas situações. Relações mal começadas e mal acabadas.

E hoje me vejo, com muita clareza do que acontece, ainda impotente diante de meus sentimento. E uma gana intensa de chorar, vira e mexe, me atormenta. E fico imaginando que talvez esse choro me faça mais mal. Mas a vontade é grande. O desejo de transformar a situação também é.

Também tentei as práticas não convencionais para melhorar. Surtiram um certo efeito. Reflexologia, fitoterapia, acupuntura, homeopatia, ayurvédica. E até um tratamento com o povo azul. Relaxei na Meditação Transcendental que é uma prática fantástica de equilíbrio e que resulta em paz. Tenho consciência que não fiz todas essa práticas de acordo. Só brinquei com elas.

Tenho trabalhado com o poder de construir minha realidade.

Talvez tudo seja um gatilho para a real transformação.

Para finalmente escrever o que é preciso ser escrito.

Para voltar a sonhar e voltar a ser a mulher que sempre abalou as estruturas. Aquela que incomoda e provoca mudanças.

Talvez eu só queira chorar para enfim me desvencilhar dessas dores que muito me ensinaram. E que aprimoraram minha capacidade de crescer e mudar.

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