Mergulho no lago

dezembro 5, 2012 brybru

Estava em um lugar afastado junto como você, não consigo me lembrar o que estávamos fazendo. Lembro-me de estar nua e você estar semi nu. Havíamos entrado no lago e nadados juntos. Eu me sentia feliz e queria continuar ali, naquele lugar, junto com você.
De repente você começa a querer se afastar de mim e eu sinto isso. Decidimos ir embora, cada um em seu carro.
Peco pra você ajudar a tirar meu carro de uma garagem apertada e para tomar cuidado com uma coluna de tijolos. Você entra em meu carro e senta no volante, enquanto eu fico de fora esperando você manobrar. Mas você sai, sem cuidado, raspando toda a porta de meu carro na coluna. Eu fico brava e você continua dirigindo, dá a volta e joga meu carro no lago. Fico desesperada, brigo contigo. Você dá a entender que tem medo que sua namorada saiba de nós dois. Várias pessoas ficam olhando a gente brigar. Vou em busca de ajuda porque sei que não vou conseguir sair daquele lugar sem meu carro.
Ando um bom tempo a pé. Chego em outro vilarejo e lá consigo falar  com meus filhos que vem me ajudar a consertar meu carro.
IRL – estar nadando no lago corresponde ao mergulho no inconsciente que fizemos juntos. Lembro-me até hoje da energia pesada que não te deixava dormir, pairando escura sobre você enquanto estava deitado. Você não respirava. Não conseguia relaxar. Este mergulho no inconsciente, em minha perspectiva, mesmo que de forma parcial, transformou sua vida. Mesmo sem a tua consciência sob isso. Eu vi todo esse processo se desenrolar a minha frente. O teu amadurecimento, a tua evolução espiritual. Como você se libertou de um certo trauma, representado pela enorme energia escura que pairava sobre ti. 
Eu estava feliz nesse mergulho que eu fiz por inteira. Revi tanta coisa em minha vida, fui em busca de ajuda e a meditação foi o achado principal para tanta mudança e o encontro de certa paz. Minha vida se desenrolou. Tomado consciência cada dia de algo oculto, antigo, pedido pra ser mudado.
Mas… Tudo tem um fim, ao menos em nossa mente dualista. E esse nosso mergulho também terminou. Acabamos o que deveríamos ter feito.
Mas eu não consegui me desvencilhar daquele lugar de felicidade pra mim. Interpretei como uma forma de violência a forma que você se afastou. Desmerecendo meu caminho, raspando  a porta do meu carro em sonhos, símbolos de atos como desdenhar minhas pequenas vitorias, como a casa linda em que vivo, não dar valor ao que construí e apenas apontar meus defeitos. Isso foi uma violência sem medida. Raspou meu carro e jogou fora a minha direção.  Fiquei perdida. Saí em busca de ajuda, fui parar em lugares que não seriam necessários.
Ainda bem que tenho meus filhos que me ajudam a encontrar o rumo. A consertar meu carro, de retomar o retorno para um lugar mais feliz e cheio de amor. Sem essa forma subliminar de violência. A mesma violência que não te deixava dormir e atormentava teu sono. 
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