Atemporais

março 11, 2012 brybru
Tags:

Dizem que quando colocamos um aspecto estagnado de nossa vida em movimento, todo os outros também começam a fluir. As patologias na Medicina Chinesa tem sido interpretadas desta forma. Para falar dos três sonhos a seguir quero estabelecer este paralelo do pensamento da medicina oriental com o simbolismo de cada um deles. E procurar dar sentido à leitura do meu inconsciente a respeito de decisões e situações que tenho vivido.

Uma primeira informação se refere ao diagnóstico de um pequeno cisto no meu rim direito. Os rins nunca foram os órgãos mais efetivos do meu corpo. Cólicas em função de uma alimentação não muito adequada, sempre foram uma constante. Simbolicamente, os rins representam, em função de sua duplicidade.  profundidade e importância fisiológica, as relações essenciais entre duas pessoas. Intimidade, profundidade, parceria, onde quando um dos dois não dá conta o outro se desdobraria para manter a vida.

Um cisto representa um conteúdo acumulado, algo contido e represado em uma cápsula, algo que não flui, que está preso entre a membrana cística. Não há muito o que acrescentar em termos de simbologia. As relações de parceria íntima contém conteúdos escondidos, contidos, que necessitam ser diagnosticados e tratados. Para que a dor cesse. Para que a vida flua.

Primeiro sonho

Eu estava em uma feira, onde um vereador não especificado havia distribuído vales presentes para todos, e havia uma fila com muitos meninos para receber esse presente. Eu achava aquilo uma bobagem e perda de tempo. Pensei que deveria ser uma bobagem qualquer, sem valor algum, apenas eleitoral. Eu e meu ex marido íamos juntos de volta pra casa, onde meu filho mais novo nos aguardava. E ele decidiu ver qual era o presente e foi para o início da fila, tentar obter informações. Eu achei melhor ir em uma loja ao lado que vendia frangos e comprar uns dois peitos para levar pra casa. Lembro-me que estou sem dinheiro e pergunto ao meu ex se ele tem algum. Ele responde que não, então eu digo que não vou levar esta comida e que eu compraria depois. A seguir vejo o caminho que tenho a percorrer e me vejo só. Procuro pelo meu ex por todo o lado e não o encontro. O caminho é longo medido por uma cerca lateral interminável.

Sonho dois

Estou em um quarto com muitas pessoas que fazem parte da família do homem por quem estou apaixonada. São muitas pessoas, convivendo todas em um burburinho doido. Eu te vejo no meio de todos e tento me aproximar. Há uma criança muito doente, um menino, para o qual olho e não sinto nada, nem mesmo compaixão. Apenas constato que ele está doente. Um círculo denso de seus familiares se forma em tua volta, pressinto, e o menino também pressente de que algo muito ruim vai te acontecer. Esse mal é sutil, nada físico, nada visível. Apenas pressentível. Associo essa força a uma reação de suas ações. Fico ali parada, olhando para o círculo do mal que se fecha sobre você.

Sonho três

Estou em meu trabalho, nada parecido com o da realidade. Mas estou ali e alguns amigos estão sentados comigo, conversando, contando histórias e causos. Um grande amigo do trabalho, de um outro setor, não tão familiarizado com meus companheiros de trabalho, chega e eu o convido para sentar à roda da mesa. Nisso minha amiga Bruh, chega, esbaforida, do jeito dela e me diz que eu não tenho ideia quem ela havia encontrado na entrada do trabalho. Ela me conta quem é o sujeito. Não me diz seu nome, mas eu o vejo mentalmente e sei que foi um dos grandes amores da minha vida. Vamos para a entrada e tentamos encontrá-lo em vão. Enquanto isso recordamos o quanto eu gostava dele, o quanto ele me olhava e eu retribuía seus olhares, e brinco com minha amiga dizendo que se fosse atualmente, com certeza eu iria dar um jeito de incluir o moço na minha vida, eu iria toda cheia de graça conversar com ele e conquistá-lo. Só fui me dar conta de quem era essa “paixão” ao acordar, muito tempo depois. Tentei por uma hora aproximadamente, me lembrar quem era esse moço a quem tanto amei.

In Real Life – IRL – Pois é, os três sonhos falam de pessoas parceiras ou desejadas para a parceria. No sonho um, a relação mais íntima é a do casamento. Fui casada, tive filhos e criei um laço mais profundo, que eu creio ser mais um dos resgates de aprendizado sugerido pelo velho Karma. Esta relação muito atribulada, a vida toda, abençoada com filhos lindos e presenteada com muita, mas muita consciência tanto desta como de outras vidas, está sendo oficialmente desfeita. Este é o start de fazer fluir o que estava estagnado. O conteúdo encistado começa a sair, a ter destino. E ele sai em forma de sonhos, linguagem preferida do meu inconsciente para se comunicar. Deve ser porque eu dou ouvido aos sonhos.

É nítido o retrato de situações vividas, vivo rodeada de pessoas a quais não dou crédito, desiludida e meio afastada de minha vida de ideais. Sempre construí muitas coisas nos ambientes de trabalho, baseada em ideais de um mundo melhor para todos. Hoje me encontro em um ambiente que presenteia as pessoas com coisas insignificantes. Notem que esta é uma leitura comparativa do que eu fazia, em termos de trabalho, e do que eu vivo neste novo ambiente. Não quero dizer que nada é feito por lá. É como eu qualifico em meu inconsciente. Outro retrato da realidade é que eu conto com meu ex para suprir necessidades da família e ele não consegue mais fazer isso. Não conseguimos comprar  mais o “peito de frango”. Não conseguimos mais alimentar a família. Não há mais recursos.

Então eu me vejo só. Uma estrada longa a percorrer. Uma cerca que me separa sabe-se lá do que. Apenas indica o comprido caminho que vou seguir. Estou sozinha! Este é o processo atual.

No sonho dois vislumbro um pouco do que será. Essa sensação de ameaça me parece premonitório. E o premonitório não é nada sobrenatural. “Saber” o futuro é um dom natural de todos, através da intuição, da razão lógica, da percepção consciente e da leitura simbólica do não consciente, podemos apontar as grandes possibilidades. E isso é válido par o futuro pessoal e o futuro coletivo. E é o recurso usado por todos os oráculos e magos.

E a percepção neste caso é de uma sensação de mal que se apodera do homem amado. Mais um sonho de intimidade. Você se encontra absorvido por sua “família”. Esta, neste caso, eu vejo como sendo constituída pelas pessoas que te vivem próxima a você ou não, aquelas que eu chamaria de família do coletivo. Você está rodeado de crenças que são o pensamento da atualidade. Uma diversidade de pessoas em sua volta, mas meio que adormecidas, não despertas para sua própria essência, levando sua vida através de impulsos e necessidades momentâneas, sem muita reflexão, sem se dar conta da efemeridade de tudo. Estão, como o menino presente, doentes. Todo um coletivo que precisa ser curado, mas que não se apercebe disto, e vão, sufocando lentamente uns aos outros. O círculo vai se fechando. E um grande mal não visível vai se apoderando de todos.

Relembro que esta é a “minha” leitura. Eu tento chegar até você, quero te tirar dali. Como em outros tantos sonhos. Mas não consigo me aproximar. Não tenho elementos. Talvez não tenha a compaixão necessária. Isso eu percebo ao olhar o “menino doente” e não sentir nada. Talvez eu sempre tenha acreditado que cada um tem seu caminho. Mas também não sinto culpa por não ter compaixão. Estou neste sonho apenas sendo eu mesma. E você está sendo você mesmo. Se não consigo te ajudar, se não me deixam, ou você não quer, ou o astral não, ou talvez eu simplesmente não possa, então fica apenas a sensação de que o mal virá, mas todo mal possui a semente do bem, e tudo se transmuta em seu  oposto. Esta é a vida. E eu não sinto nada a respeito. Ao acordar fica a estranha sensação de que tudo o que eu faço, volta pra mim mesmo triplicado. Que cada um tem seu caminho e que somos livres para escolher quem nos acompanha. Isto é demais o vislumbre do futuro construído no presente.

O terceiro sonho tem um cheiro de passado entrelaçado com o é e o que virá. Quando acordei e fiquei me esforçando para me lembrar do meu “Grande Amor”, muitas idéias passaram pela minha mente. A grande descoberta, ou constatação é o padrão de observar e não se aproximar. Há avanços, porque consigo chamar meu amigo pra roda da minha vida. Quero que ele participe e acho que tenho feito isso. Esta semana consegui chorar os meus medos ao seu lado. Um grande avanço para quem fica só olhando para o ser amado, seja amigo ou amante. O “grande amor” era um professor do curso de mecânica que eu achava o máximo em minha adolescência. Custou um bocado pra eu me lembrar. Ele está longe de ser um ideal de beleza. Mas ele representava minhas fantasias daquele tempo. Nunca disse nada pra ele. Ele também olhava bastante, mas era um adulto e eu uma criança. Esses amores platônicos, que não machucam, porque são ideais e porque não existe proximidade, a intimidade se dá pela fantasia. Esse processo na adolescência é natural e saudável. Usar a fantasia como primeiro passo para criar a realidade é muito legal. O que não deve acontecer é este estado eterno de viver na idealização. Há uma hora em que é necessário dizer…ah se fosse agora, com minha maturidade, e fazer o que se propõe.

E também não se deve usar a fantasia apenas para sobreviver ao que nos fere, para fugir da realidade e desta forma não ter elementos para transformá-la. Até a fantasia deve ser base para a transformação, para o movimento, para dissolução dos sentimentos encapsulados, encistados, para que a vida flua. Este é um sonho que resgata o passado, mas como os outros, aponta comportamentos presentes e possibilidades de futuro.

Três sonhos atemporais.

Anúncios

Entry Filed under: Sem categoria

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to comments via RSS Feed

Páginas

Categorias

Agenda

março 2012
S T Q Q S S D
« jan   abr »
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  

Most Recent Posts

 
%d blogueiros gostam disto: