Entrelaçamento

dezembro 18, 2011 brybru

Os sonhos haviam tirado férias e no entando agora voltaram em forma de pesadelo.
Faço questão de esquecê-los. Mas o de hoje foi muito diferente. Estávamos numa reunião qualquer na casa de meus pais onde apareceram para uma grande festa a família e colegas do tempo de faculdade. Fiquei responsável por fechar as portas do carro, uma kombi, com material do meu ex marido. Que apesar de eu ouví-lo a zangar-se comigo pela falta de cuidado com o seu material não o pude ver, apenas sentir. Deixei a chave do carro com outra pessoa que sabia fechar o carro e entrei para a casa e fiquei a espera da chave. Tudo acontecia muito rápido.
Essa pessoa, uma menina muito magra e alta, juntou-se com um grupo de pessoas para vestirem fantasias e realizarem uma apresentação qualquer.
De repente há um tremor de terra e saio para fora da casa para ver se consigo entender o que se passa. Todos continuam a festejar.
Então vejo ao longe, por trás das árvores, uma pedras vindo em nossa direção como se rolassem de uma avalanche gigantesca. Temi pela vida de todos que estavam na festa. Corri para encontrar a menina da chave e meu filho. Encontrei a menina a dançar mas não consegui alcançá-la. Segui em direção ao meu filho que organizava um grupo de crianças a manterem-se calmas.
Tentei juntar as crianças que se dispersaram. Tomei meu filho pela mão e tentamos fugir. Mas umas pedras gigantescas caíram sobre a varanda da casa sem quebrar a casa e impediram a nossa fuga.
Aí surgiu um noticiário na TV onde mostrava uma “bruxa” a criar essa situação de catástrofe num sistema de computador. Imaginei que a cidade já havia sido muito castigada mesmo com as casas não destruídas, apenas cobertas por pedras gigantes. Lembro q as casas do outro lado da rua não tinham pedras do tamanho das que estavam sobre a minha casa.
Aí surgiu no céu uma nuvem de pedras a flutuar como se andassem num transito lento.
Estava então recostada no meu marido e meu cunhado irmão dele estava conosco bem como o meu filho. Foi então que tive a brilhante ideia de chamar os REIKIANOS para energizarmos proteção.
Para meu espanto minha irmã mais nova, e ela disse que eu deveria me converter depois da prova da ira divina. Recusou-se a enviar Reiki e eu sugeri que rezasse o pai nosso ou a ave maria, qualquer oração ajudaria naquela situação. Com ou sem oração as pedras se movem para outro lugar.
Alguém veio avisar que não tínhamos mais helicóptero para ir buscarmos os carros que estavam estacionados na serra. A minha sensação não era de sonho e sim de realidade.
Começou uma chuva com uma água quente e saímos na busca da kombi, um meio de transporte.
Tínhamos que sair dali.
Despertei enquanto pisava na lama, com os cabelos escorridos no rosto por causa da chuva e nesse momento com a sensação de que era um sonho e tinha que enviá-lo para ti.
Se puderes me ajudar.

 

IRL – Ai, ai. Vamos lá. Parece que os sonhos ultimamente tem urgência de serem expressos. Engraçado os períodos em que ficam latentes, sendo negados por nós. Como se quisséssemos ignorá-los ou se pudéssemos ter a opção de fazer isso. Até temos, mas eles insistem e tornam-se ameaçadores – pesadelos.

 

Antes de entrar no sonho, intenso e riquíssimo em símbolos, vou fazer uma série de pequenas  considerações. Meio que embasando as possíveis interpretações.

 

O primeiro grande tema é o inconsciente. O nosso individual e o coletivo. Na linguagem corrente, o termo inconsciente é utilizado como adjetivo, para designar o conjunto dos processos mentais que não são conscientemente pensados. Em psicanálise, o inconsciente é um lugar desconhecido pela consciência: uma “outra cena”. E é neste cenário que os sonhos são elaborados e apresentados. Eles podem trazer em seus símbolos as mensagens codificadas de nossos conflitos, recalques e elaborações de seres individualizados. São mensagens de nossas percepções sobre os fatos da vida e do mundo que nos cerca. Ao entrarmos no âmbito do coletivo percebemos que o cenário é construído com elementos de todos, com as percepções e medos, e traumas e conflitos de todos.

 

Um outro tema seria a capacidade de percepção que todos os seres vivos tem. E os humanos não são diferentes dos animais. Também temos percepções além dos cinco sentidos, que andam meio esquecidas e que não vêm à consciência em função da modernidade e de outras prioridades. A comunicação não verbal é mais intensa do que a verbal. O corpo fala, os olhos falam,as expressões falam,  os gestos falam, as atitudes falam, o inconsciente fala. E o inconsciente escuta, ouve e vê o que o outro ser expressa por todos estes canais de comunicação. E essa comunicação não verbal se estende a formas mais sutis de transmissão, como a transmissão em nível quântico, terreno em inicio de observação e percepção da pesquisa.

 

Uma forma de buscar ampliação do terreno consciente no pântano da inconsciência é aprender a ver além, buscar entender os símbolos, os gestos, o olhar do outro, e todas as outras formas de comunicação apontadas.

 

Os sonhos  com certeza são mensagens que nosso inconsciente nos envia com o intuito de ampliar essa percepção e transformar, facilitar a nossa vida em conjunto. Para isso utiliza-se de linguagem simbólica, ora para pedir ajuda, ora para contar uma angústia. E cabe a nós, porção consciente da vida, entender o que ele quer expressar. 

 

 E o inconsciente por ser individual e parte de um todo maior, um coletivo, envia também seus símbolos a outros seres, através da vasta comunicação não verbal. Outros seres captam a mensagem e a re codificam. Pronto! Temos aí sonhos deste tamanho do seu. 

 

Então vamos ao que interessa.

 

Logo de cara vi elementos que estão grassando pelas mentes humanas na atualidade. Acho que tem a ver com o Calendário Maia, com profecias de outras tradições, mal interpretadas pelas consciências e inconsciências. A velha batalha entre o “bem” e  o “mal”. Entre a “luz” e a “escuridão”, entre a “consciência” e a “inconsciência”.

 

Em seu sonho, de cara, a ancestralidade. A casa dos pais. É neste ambiente que tudo começa. A informação que aqui chega tem elementos herdados, informações, comportamentos e crenças que trouxemos de nossa família. E é neste cenário que você reencontra os amigos elementos impulsionadores das mudanças em tua via, os amigos da faculdade. Novas e velhas formas de saberes convivendo no mesmo espaço. E a isso se somam os encargos. Ser responsável de cuidar do patrimônio alheio, dos equipamentos do ex. Do ex que , apesar da não presença física, ainda é muito sentido. E que ainda incomoda muito. E você repassa a responsabilidade para uma outra pessoa. Mas certifica-se que a pessoa saiba agir como você, a pessoa que SAIBA fechar o carro. E ainda assim, se sente responsável, porque fica a espera da chave. Você ainda quer manter o domínio, ser a guardiã da chave.

 

E a pessoas a quem você passou a responsabilidade parcial é representada pela menina, aquela que você já foi, provavelmente quando se casou com ele. Alta, magra, criança. E todos voltam para a antiga consciência representando seus papéis. A vida-festa continua, todos com suas fantasias, suas máscaras, suas representações.

 

Mas, o abalo vem. Porque tudo muda, tudo se transforma.  E você sente o abalo. Todos continuam sua vida, a maioria das pessoas não estão atentas ao que vai acontecer. Uma avalanche. A possível destruição. E a avalanche que você vê chegando através dos símbolos de inconsciência e de ancestralidade (árvores – árvore da vida, nossa origem e elementos da floresta escura de nosso inconsciente primordial) traz o potencial destrutivo das pedras.

 

E você tenta salvar aquela que você já foi. A menina que dança. Mas não a alcança. Em um outro tempo ela continua a ser. Você está em outra dimensão. Ela vive em você, a imagem do que você foi. Mas é um outro lugar. Inatingível por ora. E lá vai a líder salvar o que ainda poderá ser, as crianças. As perspectivas de futuro. E você encontra ajuda com seu filho para cuidar do futuro. Para não deixar que a avalanche destrua as possibilidades de ser.

 

Para Emma Jung as pedras simbolizam o deus interior de cada um. Olha que apocalíptico este sonho. O deus interior quer uma nova ordem. Mas ele/você quer que você comece pela casa, por sua ancestralidade, por todos os elementos que estão na “festa”. A casa está intacta. O que isto significa? Você deus não consegue destruir tuas bases. Somente transformar será possível. Somente ter consciência do que sustenta o teu ser. Acho que daí vem o Reiki. ele tem, a partir de seu segundo nível, a capacidade de mudar passado, presente e futuro. Por isso reikianos para ajudar a mudar de forma mais suave, a sustentar as pedras no alto. Para que os deuses pedras não acabem com a possibilidade de ser.

 

E novamente a ancestralidade questiona se você faz suas opções corretamente. A figura da irmã -sister – que também faz reiki pelo que entendi, se nega a fazê-lo. Todos sabem, por mais que neguem e que tentem disfarçar e não admitir, que o Reiki traz mudanças espirituais reais, e que questiona profundamente dogmas cristãos, inclusive que transfere a nos a responsabilidade por nós mesmos , pela criação e por nossa divindade. O Reiki, quando entra em nossa vida, torna-se mais um elemento de conflito às instituições religiosas. E também um conflito “a ira divina” que quer que nos convertamos, da instituição que afirma e quer construir o apocalipse como motivador e arrebanhador de deuses feridos e temerosos. 

 

Nova contradição: você pede pela oração. Até o “pai nosso” serve. Qualquer coisa serve, mesmo aquela que você não mais acredita, para aliviar o medo da destruição.

 

E de quem é a culpa? Da bruxa! Ela é quem abala nossas bases. Tomando um pouco do simbolismo bruxesco que faz parte do TEU repertório e não do repertório do senso comum que associa bruxas a maldade do mundo. É aquela mulher que domina as plantas para fazer remédios, a que tem sabedoria das muitas vidas vividas, que cuida da mãe natureza, que faz os partos, que dá conta de viver só, dentro de seu inconsciente ( a floresta primordial) e que o transforma de forma a usar melhor seus recursos, sem destruí-lo. Mas a culpa é da bruxa! Da deusa mãe! De tudo aquilo que você aprendeu nesta vida e em outras que te dá poder. A culpa é dela. Você queria estar na festa, em paz com todos os teus elementos ancestrais e amigos mascarados. Você queria a paz e a alegria.

 

E você se cerca de personagens que te dão força, afasta com orações, reiki ou seja lá o que for, a ameaça da destruição. Mas  ainda busca fugir. Mas já não existem recursos para sair desta situação pairando em um helicóptero. Vai ter que sair com esforço próprio.

 

Aí a chuva morna. A ira dos deuses pedras se transforma em um choro quente do céus. As emoções, a sabedoria que ameaçavam transforma-se em emoções derretidas, aquecido, creio que um pouco menos aterrorizante, menos ameaçados. Mas água que junta-se a terra e dá origem ao barro de que somos feitos. Isto é real. Esta é a única vida real. A tomada de consciência de quem fomos, de quem somos e seremos. É você em todas as partes. No céu, na terra, no comando da Kombi que irá pelo caminho da vida. Na chuva quente. E aí você acorda. Encharcada em emoção.

 

O bom é que você não precisa sair dai, o ruim é que você não pode, o que também é bom. Não há como fugirmos de nós mesmos.

 

E o inconsciente coletivo? Acho que tem a ver com os sonhos muito parecidos que muitos estão tendo. A possibilidade do apocalipse, o desejo de transformação da realidade desejado por muitos, leva-nos a crer que a única possibilidade de mudança e transformação é através da destruição catastrófica. Da aniquilação dos seres e da terra. O que é uma pena. Porque somos co criadores. Somos divindades pensando o futuro, e assim, desta forma criando esta possibilidade de aniquilação. 

 

Transformar poderia ser menos doloroso.

 

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