A raiva

dezembro 6, 2011 brybru

Estava em um lugar meio estranho. Era uma espécie de sub mundo, mas não era um ambiente escuro. Era um lugar claro, mas bem nas profundezas da terra. parecia um armazém sem fim, ou um abrigo nuclear onde caberia toda uma civilização. Estava com meu filho mais novo. Senti que uma moça bonita se destacava de um grupo de moças bonitas, e vinha em nossa direção. Uma sensação de que algo muito errado ia ocorrer. Que ela queria nos destruir. Representava um ser meio vampiresco. Senti que elas eram do mal. Sussurrei pro meu menino sair dali o mais rápido possível. que ele corresse porque algo ia acontecer. Ele sai em disparada mas ele mesmo escolhe seu caminho. Também me vejo em fuga, pelo mesmo caminho pelo qual eu havia entrado nesse submundo. As moças perceberam nossa intenção de fuga e começaram uma destruição em massa. Começaram a destruir tudo em uma onda de energia enorme. E as pessoas que viviam nesse mundo começaram a fugir aterrorizadas. Portas de aço sequenciais enormes iam se fechando para impedir a fuga das pessoas e a minha. Mas eu conseguia sair de cada porta. A última porta para o exterior estava sendo fechada e eu, já do lado de fora, auxiliava as pessoas a fugirem.

Eu tinha em mãos um instrumento de poder. Parecia uma corda de fitas trançadas, de couro e cujos pedaços se destacavam. Eu sabia que se eu balançasse esse instrumento algo de poderoso iria acontecer para defender as pessoas. Mas eu estava atônita com tanta destruição e acabei colocando um desses pedacinhos da corda sob a porta de aço porque isso impediria ela de se fechar de vez e quem havia ficado lá dentro poderia sair mais cedo ou mais tarde.

Em seguida subo para um  mundo que ficava no terceiro andar desses mundos. E lá todos estavam festejando. Havia muita cantoria e eu estava desesperada procurando o príncipe deste mundo superior. Encontro-o em um desfile de cantos e vestes esvoaçantes. Todos cantam e festejam e eu agarro as vestes do príncipe, que é um homem muito bonito e jovem, gritando por sua atenção. Tento contar pra ele, aos gritos que o mundo inferior estava se rebelando e havia iniciado uma guerra. Ele me ouve com dificuldade em função das cantorias de seus súditos. A festa continua e eu me desespero por conta da guerra. Acordo ainda ouvindo a música.

IRL – Buscando símbolos para tantas imagens me deparo em primeiro lugar com um mundo subterrâneo. E nesta busca encontro alguns mundos da mitologia grega. O mundo de Hades, o inferno. Encontro também o grande poço de Tártaro onde se aprisionam as almas amaldiçoadas.  Os Campos Elíseos onde viviam as almas dos homens virtuosos e iniciados em antigos mistérios. E do submundo de Hades me chama a atenção os rios que dividem os mundo inferior dos superiores. Que são cinco rios – Aqueronte (da dor); Cócito (do lamento); Flegetonte (fogo); Lete (do esquecimento)e Éstige (o ódio). Pronto! Me dou por satisfeita neste início de pesquisa. A moça do sub mundo que se dirige a mim e ao meu filho, eu a vejo como aspectos próprios de sentimentos presos neste mundo inferior, no inconsciente. Meus rios personificados em mulheres lindas. Ninfas de fácil aceitação por sua beleza. Ninguém desconfiaria de uma mulher bonita vindo em sua direção. Mas meus sentimentos de dor,  meus lamentos ocultos, de fogo que queima a alma, da sensação de abandono e do ódio, a grande raiva escondida, estes são o verdadeiro conteúdo destas ninfas. E elas se dirigem ao meu filho, que é mero símbolo de semelhança pessoal. E eu ainda o aviso. Afaste-se, siga seu caminho porque elas vem para nos destruir. E é isso que acontecesse. O estrago é grande demais. Quase todos os personagens inconscientes vão sendo destruídos pela força avassaladora dessas ninfas. E as portas vão se fechando e prendendo todos lá dentro. Mas eu sei que a destruição está acontecendo. Tento salvar alguns personagens do meu mundo inferior, mas me lembro de só ajudar a sair um cadeirante e um doutor. Eu tento meio que manter a porta mais externa com uma pequena passagem. Mas a minha pergunta é, o que sairá por lá? Uma válvula de escape para o mal destruidor?

Mas eu tenho uma ferramenta de poder. O símbolo de corda trançada me remete ao Torçal, adereço de vestimenta que representa poder, notoriedade. Para os lutadores de Muay Thai tailandeses o uso de cordas trançadas nos punhos ou na cabeça significa a aspiração pelo poder de pertencer a determinado clã de lutadores. Com certeza este poder está em minhas mãos para mudar essa rebelião do mundo inferior.O meu mundo inferior.

Então eu corro em busca de auxílio do senhor da alegria. Em um mundo mais elevado, onde reina a festa e a alegria. Mas eu percebo que esta festa é um tanto exagerada. A música muito alta dificulta minha comunicação com este príncipe da leveza e da alegria. É tudo muito claro pra mim. Preciso da alegria, preciso da força deste príncipe para poder dar conta da rebelião. Mas esta festa da felicidade parece demais pra mim. A música é alta demais.

Acho que a grande guerra deflagrada é a necessidade de meus sentimentos, minhas ninfas, serem reconhecidas. E isto se deu em minha última meditação desta noite. Meu ódio ficou muito claro. Até agora eu havia reconhecido meus lamentos, minha dor, a sensação de não estar sendo vista. Mas a bela ninfa que vem em minha direção é meu ódio, que eu nego. Esta raiva potencializada e presa dentro de mim está pronta pra destruir um mundo inteiro. Ela só quer ser reconhecida. E em minha meditação eu a vejo, a reconheço e lembro do sonho, que eu já havia esquecido.  E me pergunto, ter ódio é normal? Porque nego meu sentimento? Por ele me faz mal? Pode ser. Mas achei ser mais importante expressar o que sinto. Olhei para meu ódio. Expressei minha raiva, disse com todas as palavras “Estou começando a te odiar”. Porque é isto que sinto. E não adianta negar este sentimento. Se eu nego, porque quero que meu mundo seja o “Campos Elíseos” de “mulher virtuosa” e iniciada em grandes mistérios, ainda assim é o lugar de coisas mortas. Não há como negar a dor, o abandono, o lamento e o ódio. O fogo é a somatória de todos que vem destruindo tudo. E se eu não reconhecer essa ninfa sentimento ela ainda escapará desse mundo e destruirá por completo todos os meus mundos.

Consigo olhar pra essa raiva e entender que ela faz parte de mim. Como faz parte de todos. E isso é a única opção para a não destruição total. Não adianta viver em um mundo superficial com a alegria exagerada de quem quer esconder seu ódio. Tenho raiva sim. Não sei quando vai passar. Estou mais leve de poder olhar pra ela através de um sonho. Talvez seja este o meu poder. De auto aceitação e de perdão as minhas ninfas, aos meus sentimentos, à minha humanidade.

Anúncios

Entry Filed under: Sem categoria

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to comments via RSS Feed

Páginas

Categorias

Agenda

dezembro 2011
S T Q Q S S D
« nov   jan »
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  

Most Recent Posts

 
%d blogueiros gostam disto: