A pele

maio 26, 2011 brybru

Eu estava em um carro e meu pai estava dirigindo. Meu irmão mais novo estava no banco de trás. Estávamos indo para a chácara do meu tio. Chegando na chácara fomos pra perto da piscina onde todos os parentes do meu pai estavam, em volta e dentro da piscina. A primeira coisa que notei foi que haviam grandes construções, estruturas de prédios gigantescas, megalomaníacas próximas à piscina. Meu tio se virou e me disse para olhar para os elevadores que ele havia construído. Fiquei espantada pelo tamanho das construções que não tinham relação com o espaço mas não disse nada.

Em um canto dentro da pisicna, meu priminho me chamou e me disse algo que não me recordo.

Andei até o outro lado da piscina e minha tia me chamou. Ela estava boiando sobre a água, sentada em uma cadeira de praia. Sua pele estava descascando e ela me disse que desejava a minha pele. Em seguida notei a minha avó e  a mãe do meu tio vestidas de maneira espalhafatosa, com um exageiro de maquiagem, usando grandes chapéus cheios de pluma, rindo como loucas, e tudo  me causou uma grande aversão.

Apesar de ser sonho senti o espanto de nada ser “normal”, as grandes construções, a pele descascando, as mulheres mais velhas tão estranhas. Sonho muito estranho.

IRL – Quando você me contou este sonho, tive um momento de projeção. E eu me emocionei.

Mas vamos lá. De novo seu pai dirigindo sua vida. Teria alguma relação com expectativas que você tem em relação à sua mãe? Dessa eterna indecisão, dela se deixar à mercê da vida e da  vontade dos outros? De uma possível manipulação inconsciente dele? Ele sempre acaba dirigindo a vida dos dois filhos mais novos e de sua mãe.

Seu irmão mais novo, meio que se deixa levar, mas não está muito preocupado, pois está no banco de trás.

Aí você se encontra com a família dele. A mesma que você evita, a mesma que por motivos bobos conseguiram fazer você se afastar. Um encontro na chácara, local de muita brincadeira e felicidade de infância. Não mais.

E lá, o “dono” da chácara, seu tio, te mostra a incoerência da vida que ele tem construído. Seus prédios, a manifestação de “si mesmo” que ele demonstra, meio que reproduzem a “megalomania”, a construção de “elevadores”, que buscam uma ascenção (social?econômica?) meio sem sentido. Você indentifica a “loucura” do que ele idealiza como vida. Construir prédios gigantescos, mas coisa de louco. No sense.

E a tua tia descascando na piscina. Ela, uma mulher que sempre foi meio que o ideal de mulher pra você na infância, com uma relação amorosa também ideal, na concepção infantil de relações amorosas. O conto de fadas. Ideal de vida e relação que com o seu crescimento foi sendo desfeito. A vida dela não é um conto de fadas. E foi aí que eu me emocionei e chorei.

Na hora me lembrei da história do “mulheres que correm com os lobos” da sereia que perde a pele. De como a maioria das mulheres perdem sua pele em função de cuidar dos outros. Filhos, marido. Abrir mão de seus sonhos para sustentar a vida e o sonho dos outros. Perdemos a pele literalmente, quando não perdemos a alma.

Ela se encontra boiando, não consegue mergulhar nas águas de suas emoções e sentimentos. Ela está resseca e com toda a água ali, à sua disposição, ela não consegue mergulhar. Fazer o que a sereia faz, recuperar sua pele e voltar para o mar. Ela fica acima de suas emoções. E pede que você dê a sua pele a ela. Você sabe que você tem a sua pele inteira. E sabe o que tem feito no caminho da auto descoberta e auto conhecimento para mantê-la íntegra. Você nunca daria sua pele a ela.

Na história da Sereia sem pele, quem devolve a sua pele é o seu próprio filho. É assim mesmo. Os filhos ajudam a gente a reencontrar nossa alma, nossa pele. Eles nos ensinam coisas cotidianamente. Nos dão lições de vida, desde que estejamos dispostos a ouví-los. E o filho dela vem contar algo pra você que você não se recorda. Ele deveria estar devolvendo a pele à ela. Mas, conhecendo as relações familiares de seu pai, tenho dúvidas se seu priminho teria espaço para isso. E você se identifica com ele na vida real. Ele é meigo, doce, extremamente inteligente e bem articulado. Uma criança que com certeza tem o que dizer a todos nós adultos. Será que a família consegue ouví-lo? O que ele estaria tentando te dizer? Como ele poderia te ajudar?

As mulheres velhas e espalhafatosas! O que dizer about? Geralmente as mulheres mais velhas são o arquétipo da sabedoria. Neste caso parece que a sabedoria deu espaço para o tricker.

Nossos ancestrais vem com sua história. A atual e a genética. Seus medos, suas falhas, suas histórias, e a convivência deles conosco influenciam no que somos e como nos comportamos. Vejo uma grande visão neste estranho sonho. Me lembra uma sessão de Constelação Familiar. Tudo tão claro. Meio doloroso, mas com certeza uma forma de libertação. Através do reviver das relações e da explicitação dos conflitos da tua família a oportunidade dada para reescrever a tua história. A nossa história. Veja só quanto assunto e lágrimas este sonho desencadeou.

 

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