Carta para Lya

fevereiro 4, 2011 brybru

Mais um sonho lúcido.
Lucidez para redigir confissões necessárias para prosseguir na vida, no processo de tomada de consciência constante, pra toda a eternidade.
 
Letters to goddess
 
Se eu for te ver e chorar você não vai ligar???
Uma fase de intensa transformação em minha vida onde percebo muitos sentimentos mal trabalhados, jogados sob o tapete, e entre eles está tudo o que sinto em relação a você.
Você me conhece e sabe que sou um ser contundente, chata e chorona. E às vezes penso coisas que talvez não devessem ser ditas. Até aí tudo bem. Duro é sentir coisas e não saber o que fazer com elas.
Eu te amo muito e acho que me afastei por algumas razões.
Eu vou falar, mas saiba que são meus sentimentos. É a minha loucura. Mas é tudo muito real no mundo das minhas emoções.
Eu queria ser mais forte pra poder estar ao teu lado. É como se eu fugisse da dor. Da minha dor de ter ver nesse processo doloroso de estar doente. Me perdôe pela minha incapacidade de estar ao teu lado. Quando meu irmão mais velho adoeceu, eu estava mandando Reiki pra ele e acabei visualizando o tumor dele. Foi tão claro e tão chocante. E eu soube na hora que ele iria embora rapidinho. Os médicos nem tinham feito o diagnóstico ainda. Em um mês ele faleceu. Isso foi em 2007.
Depois quando você adoeceu, eu sabia também que não era a mesma coisa que foi com meu irmão. Algumas coisas são assim. Eu simplesmente sei. Mas é muito doloroso às vezes saber. 
E gostaria que você não tivesse que passar por este caminho tão desgastante.
Porque eu quero falar de cura, de esperança, de transformação.
E aí quando algumas coisas ruins ocorrem, e elas sempre ocorrem, todo o meu sistema de crenças que quero desesperadamente conservar, vão por água abaixo. Puro egoísmo meu.
Mas também eu não queira que você visse minha fragilidade. Você já estava tão frágil. Eu queria ter tido coragem de sentar e chorar com você. Mas eu tinha medo de te prejudicar. Eu iria chorar por você, pelo meu irmão e por mim. E você sabe o quanto eu choro!
Então eu continuei fugindo.
Sempre lembrando do que você me disse:
São tantas perdas!
Eu queria poder te falar de coisas bonitas. De amores que nunca existiram. De previsões que nunca se concretizaram a meu contento, que se concretizaram sim, mas de outra forma, de como deveria ser e não de como eu gostaria que fosse. Como o sonho do casamento. Ele se concretizou sim. É a longa jornada do auto conhecimento, de casar-se consigo mesma e se bastar. Se fortalecer para ter coragem de se dizer o que vai na alma. Como estou aqui neste momento te dizendo.
Aí eu não tinha nada pra te dizer. Eu não sabia o que te dizer. Eu não sabia como ficar ao teu lado e não chorar. E eu não quero mais chorar. Eu quero te dar um pedaço da minha vida pra que você sare.
Eu quero te contar que quando a minha mãe morreu, uma professora, que era toda zen e que me introduziu no mundo fora da ciência, nas práticas “alternativas”, me disse…”não pergunte porque tua mãe faleceu. Pergunte PARA QUE?” Ela estava falando de Propósitos. PARA QUE algumas coisas acontecem. O que podemos evoluir enquanto seres. O que podemos ensinar e partilhar. O que podemos aprender.
Quando ela faleceu, ela tinha cumprido o tempo dela, e o propósito desse fato em relação a mim foi me introduzir em um outro mundo que negamos. O mundo da alma. O mundo do invisível. Na época o Caê, ainda criança, começou a vê-la com freqüência dando beijos nele à noite, como ela fazia em vida. E eu negando, brigando com ele. Mas com certeza fui aprendendo, entendendo tudo o que rolava…alguns anos pra isso.
E esse aprendizado não acabou. 
Tenho andado afastada de meus propósitos. Estava experimentando um mundo mais ligth, menos árduo em termos de trabalho e compromissos. E acho que a vida vem de novo cobrar meus propósitos. De incomodar. De auxiliar no processo de evolução de todos os que me cercam e de também evoluir. 
Mas no fundo eu só queria te falar desse meu período de incapacidade de te olhar de frente e de ter coragem. Minha incapacidade de te auxiliar. Da minha raiva diante de fatos que são. Por múltiplos fatores. Porque coletivamente destruímos o planeta, produzindo produtos tóxicos e espalhando radiação. Porque nas relações amorosas confundimos amor, sexo, posse…ou seja, porque não deixamos o outro ser o que é e não nos deixamos ser quem somos em função de crenças, dogmas e leis, e isso gera angústia e dor. Por que individualmente fazemos escolhas erradas. Ou porque simplesmente temos algo a aprender e algo a ensinar. Que merda que tenha ser de forma tão dolorosa como a doença ou a morte.
Mas isso também é um mero conceito.
Lembre-se…eu Te amo muito e nunca paro de pensar em ti.
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