Viagens e direções

janeiro 26, 2011 brybru

Estava voltando de uma viagem e meus pais foram me pegar no aeroporto. Era um saguão grande onde havia máquinas estranhas em forma de paralelepípedos onde se joga o lixo.

Eu tinha sonhado com a viagem, mas não consigo me lembrar.

Encontrei meus pais novamente numa loja, uma óptica, onde revelava fotografias. Minha mãe ia tirar um foto minha, que eu sabia que ia ficar bonita. Mas meu pai não deixou e me tirou, arrastada pelo braço, da loja.

Agora lembro que estava só com meu pai, do lado de fora de um supermercado muito velho, sujo e desorganizado. Ele estava lamentando por ter que vender os dois carros, que nós tínhamos e que acabou comprando um mais simples. O carro era branco, velho, com algumas partes desmontadas. Me lembro bem de uma caixa de som solta sobre o banco, com os fios cortados.Quando íamos pegar o carro no estacionamento do supermercado vimos que havia uma parede que o bloqueava, alguns rapazes vieram dizer que depois  o tiraria de lá.

Então estávamos dentro do carro, meu pai dirigindo e eu no banco de trás. Eu dizia coisas sérias a ele, algo do tipo como ele não levava a sério minhas idéias, e ele só respondia com risadas e frases sem sentidos, como se ele estivesse muito feliz, mas de uma maneira forçada. Fico com muita raiva dele e começo a gritar o quanto ele é falso, que eu sabia que ele estava mentindo.  Ele começa a chorar e assume a sua infelicidade.

Bom, o sentimento foi muito ruim enquanto escrevia.

IRL – Ai, ai, ai…que tristeza que dá…Hoje mesmo comentei com um amigo que o evento de Babel foi muito além da confusão das línguas. Acho que naquele momento os seres humanos vestiram couraças e nunca mais conseguiram se ver de verdade, e nunca mais conseguiram saber o que vai em sua própria alma e na alma do outro. Caos.

Acho que os sonhos vem pra nos ajudar a encontrar o caminho de volta pra nossa essência e a essência alheia. Descascar a cebola das couraças. Porque em um primeiro momento precisamos desfazer as nossas couraças para depois desfazer a alheia.

Uma viagem. Desembarcar na vida. Sair de uma etapa e entrar em outra.  Aterrar. Colocar os pés no chão. Tomada de consiência progressiva iniciada pelo processo de meditar. Não é mesmo?

Sobre as máquinas grandes, vi algumas imagens parecidas com compactadores para reciclagem de lixo. Tempo de reciclar. De jogar o lixo fora, não faltam recipientes para isso. Hora de descartar padrões e até “viagens sonhadas”.

E vamos de novo buscar referências nos pais. De novo tentar ver, na óptica, o que eles esperam de você. A mãe sabe o potencial de ficar bem nas fotos. Insiste, acredita que é um caminho. Você fica muito bem nas fotos.  

Já o pai, sempre pensando muito concretamente e cheio de limites, incapaz de sonhar e viajar,  não permite que você realize o desejo de sair bonita nas fotos. Afinal ele não acredita em nada que não seja de seu próprio mundo. Trabalho e estudo. As fotos não são possíveis. Ele retrata a projeção. Seu pai interno, espelhado no discurso de entrelinhas de seu pai, afirma que é perda de tempo e não deixa você seguir a sua mãe.

Quem tem razão sobre o melhor destino? O que você escolhe? No que você acredita?

E aí você vai de novo, pois não é a primeira vez que você fica no banco de trás, para a berlinda. Ser conduzida é mais confortável do que pegar no volante e se responsabilizar. Se algo der errado na viagem, a culpa é de quem estava no volante.

Hoje mesmo ouvi o mesmo conteúdo em outra frase: não escolher também é uma forma de escolher. E pode ser a pior forma.

E o lamento do pai? Perdas de rumo pela perdas dos carros. Perda dos veículos que podem nos levar de um lado para outro. Como se estivessem presos, com dificuldade de se locomover. Apenas um carro branco, velho, e também com dificuldades para ser retirado de uma “parede”. A muralha de impedimentos. É bem tudo isso mesmo.

Perdas e impossibilidades.  A faculdade, grana, a dificuldade de amor do pai, a dificuldade de se comunicar, pois nem som direito o carro tem. Mas tudo isso tem um propósito. Ainda estão indo para algum lugar juntos.

E conseguir expressar a tua raiva em função do comportamento de fuga de teu pai, coisa muito real e além do sonho, é um movimento positivo. Ele conseguir expressar a sua infelicidade é um avanço para ambos. Talvez tenha sido mesmo uma comunicação astral. Ele tem se esforçado para demonstrar amor. E você tem-se para compreender.

A sensação ruim, que é igual pra mim também, é o incômodo que algumas descobertas provocam. Mas o incômodo também tem seu propósito. Quando nos sentimos mal é necessário buscar a razão e a saída para essa coisa ruim.

Sonhar e olhar para o sonho pode ser um caminho de solução.

 

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