Onda – parede de Emoções

novembro 11, 2010 brybru

Estava indo junto com duas mulheres, duas professoras, a um curso ou uma apresentação. Uma das mulheres era mais ativa e liberal, a outra era mais conservadora.

Elas atravessaram a rua, que era movimentada. E eu quase fui atropelada ao tentar atravessar, um pouco depois delas. Haviam muitos carros virando a esquina próxima de onde eu estava atravessando, o que dificultava a minha travessia. Mas eu consegui passar e fomos, eu e a mais liberal das mulheres, andando à frente da outra professora, mais rápidas e mais mais observadoras, olhando as lojas da calçada.

Ao chegar ao lugar do curso, fiquei sozinha, sem minhas amigas e me senti meio mal recebida no casarão onde a apresentação-curso estava sendo administrado. Eu percebi que as mulheres que estavam no curso não gostavam de mim. Eu senti isso no ar.

Era um casarão imperial, mas mal conservado, úmido e escuro. Era de um branco sujo. Ao lado e à frente da entrada do casarão, em um terreno, estava acontecendo uma festa popular, já no final. E várias pessoas bem simples estavam saidno pelo portão, indo embora.

Olhando para essas pessoas descobri que havia um marco, uma estátua, também da época imperial, bem à frente do portal do casarão. Eu estava olhando de dentro do casarão.

Então percebi que mais à frente da estátua havia uma praia. Era uma praia pequena, linda. De areias grossas e que descia abruptamente para o mar.

Eu quis nadar e saí do curso para ir à praia. Foi uma boa sensação,pisar na areia amarelada. E quando eu ia entrar no mar , com a intenção de nadar até uma ilha bem próxima, me dei conta que o mar era muito fundo. Senti muito medo de entrar. Pensei que eu não tão boa nadadora assim para dar conta de chegar até a ilha. Sentei à beira do mar e coloquei meus pés na água., observando o quanto o mar estava ficando agitado. Umas ondas maiores surgiram. Notei que o mar era de um verde escuro, e a água era tão densa que uma das ondas era uma muralha verde musgo. Essa muralha era mais profunda do que o mar.

Acordei.

IRL – Acho que ando meio sem rumo. Sendo atropelada, ou quase, pela vida das outras pessoas. Eu e meus dois aspectos femininos, professoras, liberal e conservadora, estamos indo para um aprendizado. Vou, junto com meu aspecto de alma liberal, olhando coisas que gosto, representadas aqui pelas vitrines. Deixando pra trás o meu aspecto feminino mais conservador. No lugar de aprendizado eu me encontro só. Parece com meu atual trabalho, um lugar de relações imperiais onde não sou muito bem vista e onde não faço muita questão de sê-lo. Acho que isso sempre foi em qualquer ambiente de tabalho, nunca fiz muito esforço pra ser querida.

Era um ambiente pesado, úmido e mal conservado. Mas eu ainda dirijo o meu olhar pra festa. Eu sempre busco focar nas coisas boas. Mas a festa está no fim e não é minha. E vejo revelado o marco de quem já não é mais. Uma estátua é uma homenagem àquele que não mais existe. Àquele que não é mais. Ao passado.

E além desse marco está o mar. As águas primordiais da nossa existência humana. O guardião de todas as nossas emoções. E eu desejo me jogar nessas emoções . Mas me dou conta que é algo muito profundo para a minha capacidade de nadar soxinha.

Então eu observo. Adio a minha jornada de individuação. Deixo a ilha pra depois e observo sentindo parcialmente nos pés a energia desses sentimentos.

E os sentimentos estão escuros, densos, formando uma muralha profunda através da qual mantenho distância toda e qualquer pessoa. E eu estou sozinha na praia.

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