Deixar ser

novembro 6, 2010 brybru

Era uma espécie de jardim mal cuidado, sem flores. Com plantas verde claras e caminhos sinuosos. Eu descobria frutas escondidas no meio de trepadeiras e espinhos. Eu colhia laranjas maravilhosas, mexericas grandes e alaranjadas. E muitas uvas doces que eu apanhava e comia na hora.

Enquanto eu estava feliz pela descoberta da frutas no jardim um homem desconhecido chegou ao meu lado. Ele havia perdido a memória e dizia ser meu marido. Era um homem alto, magro, meio calvo, parecia não ser deste mundo.

Mas, da mesma forma, eu também não possuía memórias. Algum acidente havia acontecido e eu não me lembrava daquele homem. Mas nós dois éramos um casal de certa importância social e havia a necessidade de retomarmos de novo a vida. Éramos proprietáros de algum negócio lucrativo.

Tentando reconstruir, a relação nós dois nos beijamos. Me recordo de ter sentido ternura, mas nada além disso. Uma angústia foi se apossando de mim. Eu não reconhecia nada daquilo como meu.

Pensamos em uma sessão terapêutica meio zen, alternativa, com a finalidade de resgatar as memórias. Deveria ser uma sessão em grupo. Fui arrumar a sala destinada para isso. Era uma sala irregular no meio do jardim. A terapeuta havia trazido figuras, em estampas grandes, de papel cartão, que retratavam as misérias humanas em preto e branco. Eu fiquei impressionada com uma delas. Era a de um homem velho com um menino. Mas não me recordo o que a cena retratava.

Comecei a arrumar a sala com vasos de pequenas flores rosa-pálido e azul clarinho. Compartilhei a idéia de colocar os vasos com flores junto com velas acesas em um canto da sala com o meu desconhecido marido. Disse a ele que queria deixar o outro canto para colocar as figuras a serem escolhidas e trabalhadas.

Ele então me perguntou que se eu fizesse daquela forma, onde ficariam todos os deuses. – Como assim? Eu perguntei. Ele me respondeu se eu não havia percebido que os sinos estavam tocando e que os deuses estavam atrasados. Onde estariam todos os deuses?

Continuei arrumando a sala com as flores e velas em um canto e passei a escolher as figuras cenas que representariam a revelação de minhas idéias que eram:

– Eu não possuía memórias porque eu não era aquela mulher!

– Eu sou outra mulher!

– Eu não sou casada com este homem!

– Ele é um desconhecido!

Não encontrei mais a figura do menino com o homem velho. Meu desconhecido marido me abraçou suavemente e eu comecei a chorar.

 

IRL – 1 – Colaboradora Aneci – A amnésia pode tratar de vidas passadas. E ao que tudo indica pode ser que vocês estejam juntos novamente para resolverem algo. Até aqui nada de novo.

Mas porque o campo de flores?
Talvez porque finalmente estejas a encontrar o teu equilíbrio.
As flores nos vasos a serem colacadas “no altar” canto da sala escolhido por ti, são a entrega.
Pareceu-me que a tua cara metada está mais perto do que imaginas mas não se reconhecem assim. A amnésia da vida actual transformou-os em estranhos.
E o teu conformismo em não encontrar o seu “amado” aqui pode estar a afastá-la mais ainda dele.
Nem sei ao certo se td o que “ouvi” sobre isso faz sentido.
Mas parece que não tens que te encontrares com a tua alma gêmea por hora e que os “deuses” te estão a chegar. 

Tu estás a pensar em fazer um super retiro na Índia?
Ou estás a pensar em tornar-se ainda mais Zen do que és?
IRL – 2 – São símbolos em demasia! Credo! Tem hora que sonhar é muito árduo, principalmente quando os conteúdos são árduos.
Vamos lá! Interessante essa associação da amnésia com vidas passadas. Também creio nisto. Mas percebo que fica difícil identificar o masculino dessa jornada onírica. Um completo desconhecido. Tenho um amigo que meio que se encaixa no quadro. E uma vidente me disse que eu não deveria desistir dele, pois ele é a pessoa mais doce do mundo e que me ama muito. Foi a única identificação do meu amigo com esse “marido” onírico e desconhecido: a ternura, a  docilidade. Mas eu desisti dele! Me sinto como se não houvessse identidade entre nós dois. Alías, eu sinto que eu desisti de tudo mesmo. Meio que na expectativa do que vai acontecer na vida. Momento de resolução de problemas kármicos, processo doloroso que passou da hora de terminar. Talvez seja esse o retiro, não para a Índia, mas para dentro de si mesma.

IRL – 3 –  Vamos ao sonho: O Jardim mal cuidado – Um Jardim geralmente nos remete ao Eden, paraíso instalado na terra, obra do criador que contém tudo o que se necessita para viver. Contém os quatro elementos, ar, terra, fogo e água, composição material de todos os seres. Pode ser representação também de si mesmo, do Eu interior, ou  ainda, da Consciência do indivíduo. Ele está mal cuidado, o que procede. Afinal a sonhadora nunca foi muito boa em autocuidado, não é mesmo??? Mas ainda assim existem frutos nesse jardim. E ela os recolhe com alegria. São frutas grandes, alaranjadas como o elemento terra e como o chakra esplênico, o senhor da manifestação terrena. É um momento de fartura, apesar dos frutos estarem escondidos. São uvas doces, símbolo de prazer e despreendimento.
E no meio do deleite do sentido do gosto das frutas doces, chega este desconhecido marido. E estranho. Com certeza de outro momento da vida eterna. Parece de outro mundo!
E ele traz com ele responsabilidades kármicas, negócios que precisam ter continuidade por serem de importância social e econômica. Pois é…a sonhadora sempre foi uma pessoa envolvida com movimentos sociais. Nunca uma pessoa de destaque, mas sempre trabalhando em prol de pessoas menos afortunadas. Parece que este marido vem para que ela retome esta jornada. Afinal todos tem um propósito de vida, e a sonhadora também o tem.
Mas ela não reconhece mais aqueles “encargos” do propósito como seu. Ela não quer essa responsabilidade. Se angustia com a presença desse homem que exige compromissos. E vai tentar tratar dessa situação, resgatando as memórias ou admitindo de vez que nada disso é seu. E busca ajuda terapêutica. Vai para uma sala, irregular. De cantos irregulares, mas ainda no centro do jardim, de sua casa, no centro de tudo, como deve ser uma sala por onde circule uma boa energia, de acordo com o Feng Shui. Sala nos sonhos podem significar romances, desejados ou vividos, que prometem ser durad ouros. E nessa sala ela destina um momento-canto para cada coisa. Gratidão e devoção  com flores e velas. Introspecção e entrega ao fluxo da vida. Uma entrega suave com flores de cor pastel (rosinha e azuis claras). Outro canto seria destinado ao grupo, a todos os outros que ajudariam a resolver esse conflito.
Mas ela não se esquece da realidade e planeja usar recursos das figuras para dizer o que pensa e sente. Técnica muito usada em trabalhos em grupo. E ela destaca a imagem do menino e do velho.
O menino pode representar a inocência, o estado de indiferenciação da prima matéria, o homem que virá a ser. O estado primordial. aquele que contém todas as expectativas de futuro. Me lembra a carta do Mago do Tarôt. Também pode ser uma expressão do Si-mesmo. A imagem de um menino nos sonhos de uma mulher, em geral quer simbolizar um novo empreendimento e no dizer de Jung, um empreendimento honesto que concorre para a realização do SELF. Já o velho representa o arquétipo da sabedoria e do destino submetidos à dimensão cósmica. Pode representar um momento de transformações radicais de atitudes do sonhador  diante da imprevisibilidade do destino. Representaria a angústia gerada entre a necessidade de controle da vida pelo intelcto, que tenta prever situações do devir imprevisíveis, sendo aplacada pela sabedoria do velho que busca conciliação e aceitação do destino e dos mistérios da vida. Momento de dissolução da angústia existencial.
E por fim, os deuses!
Aqui a mensagem da amiga para entender melhor sobre deuses…

Acalma o teu coração.
Tu sempre causarás medo aos homens pois és muito imponente.
Foste tu que escolheste ser assim, rss. E os pobres homens não tem culpa de não saberem como portarem-se diante da deusa.
Não estás sozinha. Tens a mim, a outras tantas amigas de caminhada, aos teus filhos… tens muito mais do que pensas. E os deuses estão ao teu lado, apesar do atraso. Atraso esse que não é deles e sim teu.
Tu que tens de aceitar a presença dos deuses.
Em uma parábola qualquer  “Jesus não arromba a porta do coração pois ela tem de ser aberta do lado de dentro”.
Pensa nisso como sendo os “deuses”/ teus poderes.
Afinal, somos deus e nosso poder é que materializa a energia.
Perfeito!
É isso aí!!!

 

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