A Menina

dezembro 27, 2009 brybru

 

Eu sou tua namorada! Ficamos abraçados o tempo todo. Como os namorados gostam de ficar. Mas eu percebi que algo está estranho. Você meio distante. Não deixou de ser doce e cuidadoso como sempre foi. Mas eu senti que há algo diferente, nossa relação já não é mais a mesma. E em um desses abraços, você me confessa que “anda mesmo meio cansado de mim!”

A constatação do que era sentido pela intuição é dolorosa demais. Uma sensação de vácuo se instala em meu peito e me pergunto: E agora? O que faço dos meus sentimentos? Quais são esses meus sentimentos? Que mistura de dor e abandono é essa? É exatamente o que sempre senti em toda a minha vida? O que houve pra que você  se cansasse de mim? O que eu fiz ou não fiz de certo ou  errado? O que eu poderia fazer?

Você ganha um livro de sua mãe. Tento olhar para o nome do livro, mas não consigo ler. E em seguida ganha três ou quatro livros. Sei que eles falam de filosofia e psicologia. Meio auto ajuda e reflexões. Eu também ganho um livro. Não sei quem me dá esse livro. Ele é colorido. Com caracteres de alguma língua antiga, de origem mediterrânea. Tem observações e referências escritas de cabeça pra baixo e descubro rapidinho esse detalhe estranho. O livro se chama “A Menina”. Conta a história de uma menina que acredita que, em sua vida atual, sua única missão é amar e ser amada. A figura da menina é deslumbrante. Uma foto antiga, de fundo colorido.  

O que a figura materna representa em nossas vidas? Tua mãe, sempre tão presente em todos os acontecimentos significativos de tua vida. Será que isso acontece com todos os homens e suas mães? O que ela queria te mostrar sobre tua atitude em relação a mim? Quem é menina do livro senão eu mesma? Poderia ser outra pessoa? Sei que tudo fica muito claro. Minha missão, nesta vida, é amar e ser amada. Sou tão antiga e tão colorida como a figura do livro. As origens da minha alma são mediterrâneas. E minha história e minhas referências, às vezes, se viram do avesso.

Um homem gorducho me olha condescendente e me diz que nestas horas os amigos não ajudam. E que eu devo que passear sozinha. Ele me dá a sensação de ser um mestre, um conselheiro bonachão.  E me diz que pra resolver a situação os amigos não me ajudarão, só preciso esquecer os pecados. Você fica o tempo todo ao meu lado.

Até o meu guia é estranho. Pesado e leve. Toda esta minha vida foi estranha.  A dualidade: passado e presente. A sensação eterna de saber que há alguém do meu lado e também a sua ausência. Duas realidades coexistindo neste único momento. A eterna solidão como caminho para o encontro. A idéia de contar a minha história pelo direito e pelo avesso.

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