O Caminhão

setembro 18, 2009 brybru

caminho

Sonhei que eu roubava seu caminhão para chamar sua atenção. Roubei também um colchão, um cobertor e os coloquei sobre a carroceria. Ou melhor, sobre o baú do caminhão. Era uma carreta enorme. Então eu parava próxima a sua casa, em Campinas, e você percebia que eu estava com seu caminhão. Você me beijava de um jeito muito bom. Lembrei-me de quando nos conhecemos. E decidiu ir para sua casa na Holambra. Você me deu um relógio de presente. Colocou-o no meu pulso. Era azul, lindo e digital. Eu via os minutos passando, era por volta das 17 horas.  Eu havia perdido o colchão na rua. E continuei sobre o baú. Você entrou na cabine e uma moça junto. Quando fiz um movimento para ir para a cabine, entrou um moço, parecia ser um empregado seu, e eu fiquei sem lugar. Na cabine. Você demorou para seguir seu rumo. Eu sobre o baú.

 

IRL – acordei triste. Não há lugar pra mim ao seu lado, na direção de sua vida. Fiz um esforço tremendo pra fazer parte de seu caminho, roubar um caminhão, e nada. Eu não tenho lugar na cabine. E o tempo passando. As 17 é quase noite. É quase o fim de um dia. O beijo, sempre uma promessa, me remeteu ao tempo em que nos conhecemos. Nós tínhamos potencial. Mas acho que não fazia parte do meu plano te acompanhar. Depois, quando tentei me apoderar de sua vida, você estava tão forte, ter um caminhão, que eu não consegui mais. O tempo passou e vejo você e não te reconheço mais. O mesmo deve ser inversamente. Apenas os olhos, como diz Neruda, apenas os olhos recordam daquele que já foi um dia…lenta infância. Eu gostava muito de você. Eu tive medo. Não me achei merecedora. Eu nunca me senti merecedora. Nunca pude confiar de que você deixaria sua noiva pra ficar comigo de vez. Eu gostava muito de você. Lembro a primeira vez que eu quis te conquistar no ônibus. Você nem me deu bola. Conversou comigo, mas só. Depois, alguns anos depois, quando você me descobriu, eu tive medo. Não posso mais fazer esse esforço sobre humano de me apoderar da vida alheia, roubar caminhões, nada feminino, simbolicamente falando. Como no sonho seguinte, eu tenho que reencontrar o meu carro e seguir meu rumo pra minha casa. Minha direção e minha vida.

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