Coragem

“Ter coragem necessária para reconhecer, aceitar, expressar o lado mais sombrio de sua alma”

Eu estava em uma construção sólida. A primeira sensação era de que tudo estava bem. era uma construção cinza, parecia uma casa de condomínio fechado, mas com vários galpões ao largo. Era enorme.

Comecei a me dar conta de que eu estava presa nesse lugar. Todos os portões estavam trancados, eu estava em uma área externa da casa.

Estava eu e outra mulher mais velha, mas meio desconhecida. Começamos a forçar os portões para sair. Sabemos que há um homem que quer nos manter presa e ele começa a ir atrás de nós duas. Conseguimos abrir um portão, forçando-o, e vamos para a área da frente das construções. Sinto que o homem está em nosso encalço. Fugimos pela lateral  da casa que tem à esquerda um galpão que pode ser uma industria.

Algumas outras pessoas estão nos perseguindo também. Deixo uma a uma se aproximar de mim. Estou com uma chave de quatro segredos na mão e vou enfiando essa chave no pescoço, bem na jugular de cada uma dessas pessoas, matando-os de uma forma que nem eles, nem os outros se  apercebam disso.

Agora me encontro em uma área extensa. Um terreno imenso e, na lateral à esquerda , um grande portão que é a saída. Está tudo escuro no sonho. Fico imaginando como sairei dali, talvez pulando o portão que é bem alto.

Uma moça sedutora, que também está me perseguindo, chega e e eu a engano com a promessa de uma festa sensual e ela fica feliz, começando a se despir. Eu tento acertar a jugular dela várias vezes com a chave e não consigo. Ela não se dá conta que eu estou a “apunhalando”. Busco desesperadamente por outra arma e acho, no molho de chaves e de outros pequenos utensílios, uma lâmina e com ela acerto o pescoço da moça e ela morre.

No sonho já me dou conta que estou em um sonho e o que ele significa.

 

IRL – No sonho me dou conta do processo de mudança que estou vivendo, da sensação de vivenciar novas personas. A mulher idosa do meu lado, me é uma desconhecida. Uma faceta de mim mesma nunca vivida. Vou matando todos os personagens, porque creio que assim deva ser para poder mudar e experimentar novas formas de expressão. Talvez eu esteja equivocada ao entender que meus personagens são meus persecutores, mas a necessidade de me sentir livre, de sair dessa forma de pensar, traz à tona uma assassina, que justifica suas mortes em nome da liberdade.

Atentem que estou fora da casa, fora das construções, portanto, não plena de minha consciência. Estou em lugares de uso comum, não é no meu lugar íntimo. Me sinto presa e quero fugir, e para isso vou matando os personagens que nem se dão conta do que faço. O mais difícil é matar a mulher sedutora. Esta sim, feliz, que deseja somente ir à festa sensual proposta. Mas eu a mato. E já tomo consciência da peça teatral onírica e de meu desejo de fugir comigo mesma e experimentar nova perspectiva de viver a idade.

Sonho significativo, como todos. A questão que fica é: devemos sacrificar  todos os nossos Eus em nome de uma experiência? Seria mesmo necessário ou é mais uma fantasia à respeito do processo de avançar no tempo?

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Add a comment janeiro 31, 2018

Aquele que em mim habita: Pai, patrão, patriarcado

Após uma ótima noite ao lado do menino-homem companheiro atual de aventuras, adormeço, tardiamente por tanta excitação, e sonho. Esses sonhos, sempre revelando o que nem sempre desejamos que se revele.

Sonho que estamos em franco ato de amor, na casa de seus pais, e estes, que deveriam chegar às 10 horas da manhã, se antecipam e chegam um pouco antes de amanhecer. E o Pai dele nos flagra em pleno sexo oral. Eu me envergonho, me enovelo em mim mesma, escondendo a face. Seu Pai, puxa os lençóis sobre ele, tentando encobrir e fazê-lo sentir-se culpado, envergonhado da situação.

Seu Pai vai impedir que o restante da família chegue até onde estamos, segurando-a com conversas e distrações. Me “recomponho”, visto-me e seu Pai, na figura de um anão de olhos azuis, me oferece água para beber, aceito me sentindo alegre por o ter como aliado. Poucos segundos se passam e sinto a animosidade Dele em forma de ironia ácida. Ele me disse uma frase, que não consigo me recordar de forma alguma (talvez algum conteúdo inconsciente de grande impacto, para o qual ainda não esteja pronta IRL – in real life) e sinto nela todo o Seu desprezo por mim.

Procuro desesperadamente sair dessa situação. Mas antes de sair – nesse momento o sonho se arrasta, vejo uma família imensa ali, entre eles a Carol, amiga de faculdade, e penso: “será a Carol da Família?”

Consigo ir saindo daquele espaço, meu companheiro ao meu lado, passo ao lado de seu Pai e sussurro em Seu ouvido uma resposta irônica à frase por Ele dita, àquela mesma da qual eu não me recordo. Agora a figura Paterna é um homem alto e magro, não mais o anão de olhos claros.

Esse Pai fala bem alto ao filho, meu companheiro de aventura: fode bastante com ela. Fode muito. Mas depois volte para sua Família.

Acordei.

IRL

Temos escolhas a serem feitas. Entre elas optar pelo morno e doentio mundo de pessoas comuns. Esse que gera depressões, cânceres, loucuras e que perpetuam a mesmice, que não percebem ser “habitantes de um planeta errante, e que não fazem perguntas sem solução”. Desperta, no caminho para casa, percebo que, parodiando a amiga dos astros que afirma que “Marte em conjunto a Plutão orienta sobre nossa liberdade de ação, orientando a mantermos nossos olhos bem atentos para iluminar nossas escolhas!”, tenho escolhas a serem feitas.

E me angustio, pois tento ensaiar o mundo da “normalidade” e só vejo tristeza. Estar com esse menino-homem tem sido uma tarefa árdua de re-significar a vida, de quebrar padrões, de entender todas as opções por mim feitas nos últimos anos. Penso em encontrar alguém, da minha idade (55 anos), ou próxima a ela, que me proporcione companhia integral, que me “ame”. E só vejo tristeza. O que é “normalidade”? Abrir mão dessa montanha russa de estados emotivos, desse redemoinho transformador e ampliador da consciência, que me traga o êxtase que tem me trazido? E não é algo meramente de conteúdo sexual. Não mesmo. É também, mas não só. Tenho uma percepção diferente deste processo. Algo alinhado a um caminho espiritual.

E ao pensar em deixar essa experiência de lado, em busca de algo mais “certo”, enlouqueço de dor.

A escolha está feita!

E ela tem seu preço!

O preço é transcrito em sonhos. Neste sonho para começar.

O Pai que em mim habita. Aquele que censura o ato de amar. Que censura a mulher envergonhada de sua condição, de seu lugar no tempo, tão diferente do tempo de seu menino companheiro de aventura. Condição essa dada pelos donos de sua vida. Os Patrões das mulheres submissas que a vida toda introjetaram seus deveres, suas obrigações. Patrões que decidem o segundo, terceiro ou décimo quinto plano a que será relegada. Que ditam como nos vestir, nos comportar, o que dizer e aonde ir. Que profissão seguir e a quem amar.

Aqueles que tornam o processo de envelhecer, tão natural em todos os seres, em algo pesaroso para muitas mulheres. Que valoram comercialmente uma mulher no seu envelhecer,  agravado pelo desgaste natural de tantos encargos dado ao feminino.

A quem amar. Esta é a questão do sonho. “Você, macho menino, pode foder com ela!”. E esse foder traz a ambiguidade entre o prazer e a destruição. Vá lá, foda com ela. Mas depois se recomponha e faça seu papel de perpetuação do Patriarcado “estrutural e estruturante”. Reproduza essa merda toda. E volte pra sua família, bem ao gosto do último estatuto “cristão”.

E esse Pai cresce no sonho. A censura que ele representa, mínima, anão de olhos claros, que sempre seduzem, se agiganta. Uma censura maior, mais ameaçadora. “Vá lá, e fode ela.”

A pior constatação, é que este sonho é Meu. Este é meu Pai, meu Patrão, o Patriarcado entranhado que leva a me enovelar de vergonha. É minha essa censura!

Add a comment novembro 5, 2016

Mulheres

25 de agosto de 2016

Era uma reunião de mulheres. Muita mulheres.

Altas, baixas, novas e mais velhas.

Havia uma moça com um bebê no colo e ela estava em pé. Lhe ofereço a minha cadeira para sentar e ela aceita.

Um slide era apresentado e a apresentadora ia discorrendo sobre o assunto que era mulheres. A palestra era interativa e saímos, algumas, andando pelo local e discutindo os dados apresentados e observando as diferentes mulheres.

Havia uma mulher impressionante. Era enorme, nega clara, bem larga, muito estranha e tinha seus braços dentro de uma saia que lhe servia de blusa, na altura dos ombros. A apresentadora conversava com ela e a moça demonstrava uma doçura e acanhamento incompatível com sua figura quase monstruosa. Ela me lembrava um ogro, com os braços presos na saia.

E eu pensava: ali está uma mulher. Ela sente, ela ama, e o que será que a vida haverá feito a ela para que ela se encolha assim. Se defende, na certa. Deve ter sido julgada, exposta e surrada por ser o que é, feia e estranha. Parecia ser curtida pela vida. Mas é uma mulher que sente e ama.

A apresentadora nos mostra mais algumas coisas e nos chama para mais uma apresentação. Um amigo do trabalho está lá, me testando sobre meus conhecimentos em saúde. Invalidando tudo o que sei, dizendo que ia perguntar para a mulher dele se eu estava correta.

A apresentadora nos chama e minha amiga Inês fica me chamando. Fico dizendo, o que é Inês? Eu quero continuar a ver a palestra. E ela me diz ansiosa, espera aí, espera aí, escuta o que eu vou te dizer: “sabe do que as mulheres mais se ressentem na vida? da invenção do telefone!”

IRL – Acordei e tão logo me dei conta, o insigth do telefone, comecei a chorar como louca. A louca que sou. Tudo muito simples e claro. Mulheres, mulheres cuidando de outras, mulheres cuidando de crianças, mulheres contidas em sua expressão (saia nos ombros prendendo os braços), mulheres diminuídas, não respeitadas por aquilo que são, mulheres sendo testadas pelos homens, mulheres querendo aprender e entender mais sobre mulheres, mulheres se dando conta de seu ressentimento pela espera do telefone tocar, esperando mensagens.

Sonho catártico em face da choradeira ao acordar.

Add a comment setembro 19, 2016

Make no sense

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar.

 

E em seu turbilhão, ela oscilava entre as sombras do universo ao lado. Uma porta de fino véu havia sido aberta. Em um desses rituais inconscientes de desejo de mudar a vida, vida há tanto entristecida por objetos, roupas, sapatos e prazeres sem nenhum sentir, nenhum sentido. Vida sabotada, enganada.

E com seus olhos cerrados via a debandada da manada de seres escuros. O que seriam? Tanta angustia corria no entremeio desses seres. Havia vida ali, escura, tão densa que a massa se tornava informe. Sombras como nuvens negras, enovelados rolando freneticamente ao norte.

Queria auxiliar. Enviar luz. Energias. Calma, calma, ela repetia. Nada daquilo a ouvia.

Repassava o véu de volta à normalidade.

Lágrimas e pensamentos conflitantes. O que significa tudo isto? Quando isto começou? Porque tudo doí desta forma? O processo de despertar estava dado. Havia sido aberto o portal e o fluxo era constante. Ao fechar os olhos, outros mundos. Ao abri-los, a comichão que percorria todo seu corpo passava seus próprios limites e quase se tornava tocável.

E seu corpo se queixava. Todos seus conflitos ali, abertos em sua boca, feridas. Mais lágrimas. Que grande merda é essa? De novo, um novo patamar e toda a desorganização do caos, do caos universal, se reproduzindo nas células, nos órgãos, na impossibilidade de ir trabalhar. De manter a normalidade da vida. O Cotidiano.

Um carrossel. Não, uma montanha russa. Altos e baixos, vertigens. Um tarot, uma runa. Uma necessidade de referendar o sentir. E o livro do Despertar avisando: deixe os sentimentos à parte. Eles são intensos, mas não transformadores do real potencial. Deixar ser. Apenas ser agora.

E ela teimosa, rainha absoluta de seu conhecimento, até mesmo de sua ignorância. Certa. Certeza. Contrapondo-se ao professor onírico, materializado em letras, mas distante.  Ele esteve mais próximo em seu sonho. Naquele outro plano, daquela outra porta aberta à noite pelos olhos febris e dançantes nas pupilas.

Sabedoura de tudo, deixava o sentir a acompanhar. Negava o sentimento, mas ele ali estava. Presente, intenso, controlando todo o fluxo da loucura. Amor? Raiva? Auto piedade? Ali, latejando como a comichão.

Queria tanto o professor ao seu lado, contrapô-lo, demonstrar que as verdades não são absolutas. Que o grande segredo não é o amor universal, inatingível ideal para humanos. Humanos querem, desejam, cerceiam em nome do amor. Mesmo que seja um querer reverso. Um desejo de plenitude do outro, da sua própria realização na do outro. Mesmo que cerceiem a si próprios. Em nome do amor.

E que a cura é sim um processo que deve não passar pela aceitação. Nem tudo que se debate morre afogado. Há que se rebelar contra o Espírito do Tempo. A rebeldia. Talvez a causa desta agonia.

Talvez não devesse se rebelar. Se pudesse voltar à rotina. Dobrar a roupas do varal. Arrumar o quarto. Talvez assim recuperasse a calma. E as feridas cicatrizassem.

O professor que respondeu apenas com o e-mail automático de quem monta uma indústria de conhecimentos. Ah, desilusão. Nunca entendera como alguém pode mercantilizar a experiência humana que transcende o visível. Ela sonhara com ele, no museu – escola dele. Um lugar de paz, claridade e suavidade. Foram tão próximos, tão íntimos, professor e aluna. Era uma forma de amar. Talvez aquela sim a dita incondicional.

Não, ela nunca seria incondicional. Humana demais para ser. Queria demais ao professor. Que falasse com ela, e imaginava diálogos em inglês para tentar convencê-lo de seus contrapontos. Tão ela. Sabedoura.

E vem a fase da calmaria. Acalmado o coração, a certeza lhe chega outra vez. Novas runas prenunciam e o no banho o perfume artesanal de argila. A sincronicidade que joga dados com os pontos de intersecção. Um perfume e a mensagem chega.

A felicidade, ou seja lá o que isso seja. A paixão, ou o que quer que isso signifique. Se instalam, e o coração acelera. Sem reducionismo hormonal, sua vida toma cor novamente. Seus lábios entendem que chegou o momento de restabelecer seus tecidos. Cicatrizar.

E tenta educadamente ouvir o que lhe é escrito. Segura seu desejo afoito de ir digitando todos os pensamentos. Há que se controlar. Tentar não demostrar sua urgência de ser. Um dia ela há de justificar a ele os seus anos vividos. Há de dizer-lhe, explicar-lhe o porquê da emergência de ser e estar. Tempo, tempo, tempo.

Afinal, em tese, ele tem todo o tempo de mundo. Ela nem tanto, no bom senso cronológico. Mas ela é ciente de ter toda a eternidade. Mas quase sempre é tão chata (so boring) a eternidade. Agora, já neste instante. Mas se contém. Usa dos bons modos e do pisar em ovos do terreno do homem desconhecido. Afinal, ele foi embora tão triste a última vez que se viram. E não como a poesia, a tristeza dele ela vira, pois se sabe que ela bem se vê.

E ele lamentara o fatídico dia nacional, enquanto ela celebrava seu universo local. Aquilo tudo a entristecera. Enchera-a de magoa. Foram os dias da queda livre. Talvez a bolsa enorme, ancora de si mesma? A meia calça? As cicatrizes? Não estas foram integradas a si mesma há tempos. A disponibilidade (avaible) para a invasão? A permissão!

Ele confessa, mas não convence. Um rompimento recente rouba dele a possibilidade de construir relações e compromissos. Ela balbucia, mas foi você quem disse sobre o início. O acordo de paz do dois de paus está firmado. Dias de queda livre. A energia invade e destroça.

Mas agora não. Tudo muda, um novo esforço se dá. Tudo ganha sentido. E, apesar da alegria, um novo lugar para se estar.

O lugar das mulheres do Chico.

Geni, da amiga.

Do Eu te amo, presa nas mãos dele pelos seios.

De todas aquelas que ficam no cais do porto, esperando por seu marinheiro. Puta esquecida que se alegra com o retorno de seu marinheiro que nunca foi seu.

Puta esclarecida, feminista que tem questionado há algum tempo o ato de esperar. Que se vê contrariada e estupefata de ver seu coração acelerando só de ouvir a mensagem chegar. Razoabilidade jogada no lixo. Questões de quando foi mesmo que essa merda de espera nos foi imposta? Paixão não existe? Então traduzam para mim, por favor, o que significa este esperar e esta alegria.

Determinação milenar ou apenas sentir?

Ele chegou tão diferente e tão igual. Promessas. Perfume de sabonete. Cuidado.

Foda-se a razoabilidade. Fodam-se todas as teorias e o pensar.

Ela quer se fazer bonita, como a muito tempo não queria ousar, usar o seu vestido decotado, e com ele ir para a praça a se abraçar. Encher seu estomago de borboletas e assistir ao espetáculo a se desenrolar no palco de onde tudo se vê, amar seus braços fortes, suas expressões e sua voz.

Ela só quer assim, continuar a amar.

De uma forma humana, a melhor que há. Cheia de condicionalidades.

 

Add a comment setembro 19, 2016

Rebirth

“Os sonhos traduzem nossa alma.
Nesta noite musical retomo minha vida, meu rumo e meu ar.
Não mais perder o que é meu destino por uma mera representação.
Pegue seu rumo, Shadow. Encontre a Luz e deixe-me vir a ser.”

“Seguir em frente.

Desfazer-se novamente de toda essa confusão de sentimentos

Retomar minha rota, meu caminho.”

Não foi um sonho. Foram muitos. Durante a eternidade que durou este ciclo. Alertas que iam solapando levemente esta fortaleza de dor construída para defender -se da dor. Uma forma estranha de resistir. Necessário ciclo. E quando essa fortaleza insana começa a desmoronar é necessário observar, sem dar valor ou julgar.

Fortaleza desmoronando

Eu tinha uma apresentação de teatro para fazer. Era em um espaço fechado, fui-me dando conta de que era um hospital de loucos. Ao me aproximar do que parecia um  púlpito, eu carregava na mão um objeto indefinido, no qual eu, ao segurá-lo, nele me apoiava. Fui tomando consciência de que eu ia representar a mãe que cuidava de todos. Um louco, que assistia televisão me perguntava se eu sabia o que eu estava fazendo. Se eu conseguia entender o que era aquela encenação.

Fui-me dando conta de que eu havia perdido a hora de estar em meu trabalho por conta dessa apresentação. Ficava angustiada demais e tentava resolver mentalmente a situação, afirmando pra mim mesma que minha amiga ficaria até mais tarde em meu lugar e eu iria em seu lugar o outro dia, sem resolver a situação concretamente. Saio do local, e alguém tranca seus portões de barras de ferro com um cadeado.

IRL – Óbvio demais. Estar perdendo o que realmente deve ser feito – o trabalho – pra encenar uma situação não real, um papel social de mãe, com conotações cristãs (púlpito), em um local de pura insanidade (hospício). E ainda ter dúvidas a respeito do papel, levantadas por um louco, que parece saber que nada sei sobre o papel. Estar presa a um objeto X, sem uma importância em si mesmo – poderia ser qualquer coisa material – cuja única função é ser o apoio de uma situação, por pura falta de sustentação de reais motivações.

Meu trabalho está esperando por mim, e permaneço evitando de enfrentá-lo com distrações mentais.

Esse sonho me despertou para a necessidade de me reaproximar de mim mesma, através da escuta de seus sussurros, quase gritos, a fim de redespertar para esta doce missão de entendê-los, e desta forma reviver, reformulando esta missão de aprender e ensinar, em busca da validação como Ser consciente.

 Sonho relevante – Mergulho no lago – 05/12/2012

 Estava em um lugar afastado junto como você, não consigo me lembrar o que estávamos fazendo. Lembro-me de estar nua e você estar semi nu. Havíamos entrado no lago e nadados juntos. Eu me sentia feliz e queria continuar ali, naquele lugar, junto com você.

De repente você começa a querer se afastar de mim e eu sinto isso. Decidimos ir embora, cada um em seu carro.
Peco pra você ajudar a tirar meu carro de uma garagem apertada e para tomar cuidado com uma coluna de tijolos. Você entra em meu carro e senta no volante, enquanto eu fico de fora esperando você manobrar. Mas você sai, sem cuidado, raspando toda a porta de meu carro na coluna. Eu fico brava e você continua dirigindo, dá a volta e joga meu carro no lago. Fico desesperada, brigo contigo. Você dá a entender que tem medo que sua namorada saiba de nós dois. Várias pessoas ficam olhando a gente brigar. Vou em busca de ajuda porque sei que não vou conseguir sair daquele lugar sem meu carro.
Ando um bom tempo a pé. Chego em outro vilarejo e lá consigo falar  com meus filhos que vem me ajudar a consertar meu carro.
IRL – estar nadando no lago corresponde ao mergulho no inconsciente que fizemos juntos. Lembro-me até hoje da energia pesada que não te deixava dormir, pairando escura sobre você enquanto estava deitado. Você não respirava. Não conseguia relaxar. Este mergulho no inconsciente, em minha perspectiva, mesmo que de forma parcial, transformou sua vida. Mesmo sem a tua consciência sob isso. Eu vi todo esse processo se desenrolar a minha frente. O teu amadurecimento, a tua evolução espiritual. Como você se libertou de um certo trauma, representado pela enorme energia escura que pairava sobre ti. 
Eu estava feliz nesse mergulho que eu fiz por inteira. Revi tanta coisa em minha vida, fui em busca de ajuda e a meditação foi o achado principal para tanta mudança e o encontro de certa paz. Minha vida se desenrolou. Tomado consciência cada dia de algo oculto, antigo, pedido pra ser mudado.
Mas… Tudo tem um fim, ao menos em nossa mente dualista. E esse nosso mergulho também terminou. Acabamos o que deveríamos ter feito.
Mas eu não consegui me desvencilhar daquele lugar de felicidade pra mim. Interpretei como uma forma de violência a forma que você se afastou. Desmerecendo meu caminho, raspando  a porta do meu carro em sonhos, símbolos de atos como desdenhar minhas pequenas vitorias, como a casa linda em que vivo, não dar valor ao que construí e apenas apontar meus defeitos. Isso foi uma violência sem medida. Raspou meu carro e jogou fora a minha direção.  Fiquei perdida. Saí em busca de ajuda, fui parar em lugares que não seriam necessários.
Ainda bem que tenho meus filhos que me ajudam a encontrar o rumo. A consertar meu carro, de retomar o retorno para um lugar mais feliz e cheio de amor. Sem essa forma subliminar de violência. A mesma violência que não te deixava dormir e atormentava teu sono. 
Another dream – Ventos de Novembro – Trilogia – em construção
“Tirar o carro do lago. Escolher um caminho transverso para evitar esse vento que me prende, que ata meus passos, meu caminhar.
Chega de você!
Chega de vocês todos!
Cópias espectrais do mesmo ser.
Quero a mim mesma.
Dona de mim, de meu corpo, meus cabelos e minha roupa.
Você me tirou o ar, a rota, fez-me perdida de mim mesma.
Curou-se através de meu corpo e de meu amor,
mas ao sair levou consigo meu poder.
E eu deixei.
E deixei-me raivosa de mim e de tudo.
Permiti – não só a ti, mas a muitos – que me machucassem, que roubassem de mim o meu sentido.
Te amei, e de forma eterna perdoo a tua ausência e a tua negação.
Mas quero meu ar de volta.
Minha cura. Esse é meu poder”
São muitos sonhos. Espalhados por este blog e  pelos cadernos de minha vida. Mas todos são o conjunto da voz de minha essência me dizendo: Este é o caminho, andai por ele. Só me resta ouvir sua voz.
“Um longo ciclo se finda.
Uma música tem o poder de destampar o caldeirão de sentimentos ocultados de mim mesma.
Recupero dessa forma o meu ar.
Meu poder de cura.
E meu rumo.
Sem destinar a ninguém, como diria Neruda, a desventura.
Sem culpar mais ninguém e observando de frente o mar do meu próprio Ser.”

Add a comment julho 14, 2015

Sonhos compartilhados

Tenho dois na memória. Um, com uma amiga de trabalho, que há muito tempo não vejo…Nem sei por onde ela anda. E o outro,  com o meu filho mais velho. Decidi recontar estes sonhos porque ambos forma marcos importantes em minha vida e na vida de minha amiga e de meu filho.  A importância desses sonhos, para mim, é a compreensão de que existe um espaço compartilhado por todos. Espaço esse não tão sólido, talvez de energia, talvez de algo intermediário. Pois há momentos nos meus sonhos que se traduzem tão reais, que quase posso palpar o ambiente. Quantas vezes me recordo do gosto, do cheiro, das cores, do som e do toque em sonhos. Talvez seja mesmo, um mundo intermediário. E lá, às vezes, talvez possamos nos encontrar.

Missão – Sonhei com uma moça, conhecida do meu trabalho. Ela estava me dando uma carona na garupa de sua moto. Ela estava muito brava e eu me pensava porque ela estaria assim, tão brava comigo. Não perguntei nada. E saímos de moto e fomos para um lugar de condições ambientais bem precárias. Havia muita terra e nós duas tínhamos muito trabalho a fazer. Foi um trabalho árduo, muita terra, ruas esburacadas. Um lugar bem cansativo.

Acordei e acabei me esquecendo do sonho.

Um dia, na sala de meu trabalho na regional, a que eu compartilhava com mais umas quatro pessoas, o engenheiro do setor me pediu pra ajudar interpretar um sonho dele. Enquanto eu interpretava o sonho, essa moça passou pela sala e ficou me ouvindo. Quando eu acabei de falar ela quis contar um sonho que ela havia tido à alguns dias atrás.  e o sonho dela era assim: “eu estava indo para um lugar, de moto, e levava uma pessoa na garupa, que eu não vi quem era. Eu estava muito brava porque eu detesto andar com a moto. Eu queria ir de carro, mas como não podia, estava indo de moto. Fui com a pessoa na garupa. Acordei.”

Enquanto ela contava seu sonho, eu fui ficando muito arrepiada. Ia me recordando do sonho que eu havia tido com ela. Exatamente o mesmo em outra versão. O sonho, com certeza, foi um sonho compartilhado. Contei pra ela na mesma hora o que eu havia sonhado e ela aceitou bem a hipótese, vista que ela é uma trabalhadora de energia. Ela tinha formação em Radiestesia e trabalhava com saúde mental.

Nos tornamos amigas e passamos a partilhar muitas informações e experiências. Um certo tempo após, houve uma mudança de governo e fomos trabalhar cada uma em uma área diferente. Ambos os lugares assumidos foram lugares muito carentes, com populações necessitadas e sem infra estrutura. Cada uma em um bairro muito pobre. E lá desenvolvemos ótimos trabalhos.

IRL – creio que nos encontramos no mundo astral, meio que antecipando os trabalhos árduos que teríamos que desenvolver. Sonhar em conjunto foi mais uma expressão da sincronicidade que une energeticamente as almas que têm coisas a fazer. Uma missão a mais!

Encontro com o Dirceu.

Um dia sonhei com o Dirceu, meu pai falecido. Ele estava em uma pousada, meio que um ambiente semi hospitalar. Ele estava de cadeiras de rodas e eu ficava ansiosa para retirá-lo daquele lugar. Comecei a arrumar as malas dele, meio que correndo. Eu julgava que ele estava ali contra a vontade dele e eu queria de qualquer forma retirá-lo dali. Ele acompanhava meus movimentos, somente olhando o que eu fazia, e eu nunca que conseguia terminar de arrumar sua mala. Deixei as malas de lado e fui até a recepção da hospedaria para acertar a conta e lá eu percebi que estava em outro país, algo oriental, e pensei ser no Japão.

Na noite após o sonho, comecei a contar para meu filho que eu havia sonhado com o avô. Conforme eu ia relatando o sonho, meu filho ia ficando arrepiado e pedindo para que eu parasse de contar. Meu filho nunca foi muito afeito a esse mundo meio inexplicável das energias. Ou melhor, meio  incompreendido pelas pessoas. Foi quando ele começou a me dizer que havia sonhado com o avô há um tempo atrás. E que o avô estava muito bem no lugar em que estava, que ele não queria sair daquela “pousada meio hospital”, e que com certeza era no Japão, porque meu filho, no sonho, estava acompanhado por uma amigo dele que é fissurado pela cultura japonesa e que ambos estavam passeando por lá.

IRL – O fato de meu filho pedir pra parar de contar meu sonho e de no instante em que eu disse que seria um lugar oriental, talvez o Japão, ele implorou que eu parasse, em lágrimas, me fez pensar no sonho compartilhado. Estivemos lá, juntos com o Dirceu, talvez em momentos diferentes. Tive clareza de que eu havia interpretado a vontade do Dirceu de forma equivocada. Era eu que queria que ele saísse de lá. Ele não queria sair. Por isso ele me observava enquanto eu fazia suas malas. Por isso eu nunca consegui concluir a arrumação de sua bagagem. Ele não queria sair de lá. Ele estava bem, e isso foi dito para o meu filho. Há alguns elementos de culpa, da minha parte. Eu queria trazê-lo de volta pra minha casa. Mas ele não queria. E de fato ele estava no mundo onde tudo é mais fluído, onde as almas se encontram, em um processo de cura de tudo o que foi vivido nesta terra. Ele teve uma vida terrena bem conturbada e faleceu bem adoentado, além da tristeza de não estar em casa. E eu, querendo decidir a vida dele até em outro plano! Se eu tivesse prestado atenção no sonho, saberia que ele não quer voltar. Está bem lá, sendo cuidado e curado. E, como sabido, em um lugar sem tempo, ele se deu ao trabalho de falar pro neto que estava bem. Creio que foi um recado! Que eu recebi muito bem.

Em relação ao meu filho, aquele medo todo que ele sempre expressou em relação a esse tipo de assunto, foi superado. Nada como uma meditação pra curar nossas loucuras e nossos medos. E nada como aprender algo sobre Jung e as possibilidades de ser além do que se pensa ser.

1 comentário julho 21, 2013

Grande guerra

Encontrei-me com meu ex namorado e começamos a trocar olhares novamente. Sempre tivemos um desejo desmedido um pelo outro. O que nos afastou foi o medo. Não sabíamos como lidar com tantas diferenças. Culturais, de idade, de formação. Mas quando duas almas amigas e antigas se encontram, elas sempre se reconhecem. E após um tempo separados voltamos a nos encontrar. E aquela coisa de vontade de ficar junto veio com tudo. Fomos nos aproximando, primeiro pelo olhar. Algumas pessoas conhecidas e desconhecidas estavam ali conosco, e logo um moço que eu não reconheço mas sei que é do meu círculo de amigos astrais, percebeu nossos olhares. Tentamos disfarçar a todo custo, mas essa atração sempre foi e será enorme, e fomos dando um jeito de nos aproximar cada vez mais e mais. Acabamos passando a noite juntos, muitos beijos e muito amor.

Logo a seguir, o dia amanhecia e eu me via esperando pelo ônibus em uma região já sonhada. É próxima a um hospital, bastante inóspita, muita terra, me lembra um lugar da vida real, mas bem menos desenvolvido. Como se o tempo de construção houvesse parado por lá. Estava no ponto e me dei conta de que estava do outro lado da avenida, em direção oposta ao que eu queria ir. Ao meu lado, um moço simpático conversa comigo. Vamos sentindo cada vez mais afeição um pelo outro e logo me sinto protegida por ele. Como se fosse um novo namorado.

Atravessamos a rua para ir para o ponto correto. Enquanto aguardávamos percebemos uma movimentação estranha no céu. haviam nuvens pesadas e densas, e vimos uma série de caças de guerra sobrevoando, pareciam estar buscando por alvos no céu. Então uma batalha começa, onde os caças bombardeiam alvos nas nuvens escuras. Os caças são despedaçados e pedaços enormes deles são arremessados pelo céu. Alguns vieram em nossa direção e saímos correndo, eu e o moço, em busca de abrigo. Tivemos a impressão que uma grande guerra estava em andamento. Fomos buscar abrigo em um vagão de trem, onde vários casais amigos do moço estavam. Eu olhava o horizonte e via muita fumaça e cogumelos de bombas. A cidade toda estava sendo destruída. O vagão do trem começa a se deslocar em grande velocidade e vamos para uma outra região da cidade. Paramos e continuo a ver o horizonte esfumaçado. Penso em meus filhos e decido ir em busca deles.  O moço prepara uma refeição pra mim enquanto arrumo minha mochila. Sentimos uma tristeza profunda porque temos que nos separar. Acordo antes de ir em busca de meus filhos.

Sensação de plenitude por ter sonhado algo tão simbólico e um misto de tristeza e medo. Algo está para suceder!

IRL – Muitos símbolos. Lugares astrais reais, como o já sonhado entorno do hospital. Não é a primeira vez que estou a esperar o ônibus naquele lugar, inacabado e seco, com aquela curva que não permite que eu veja o ônibus chegando. Não é a primeira vez que atravesso em busca do ponto correto.

Minha nova busca se relaciona com o poder criativo do pensamento humano. Perceber que somos nós os construtores da realidade me traz alegria, pelas infinitas possibilidades. E me traz medo, por essas mesmas infinitas possibilidades. Para o Universo, que fornece a matéria prima para a construção de nossos desejos, não existe bem e mal. O Universo, o TAO, Deus, não possui polaridades. Polaridade é coisa do mundo material, manifesto. É coisa de humanos. Bem e Mal são nossas perspectivas de expressão. Então o Universo apenas responde aos nossos desejos. E nós, humanos, sem clareza de nossos desejos, sem consciência de nossa possibilidade de divindade, da não polaridade, vamos construindo as infinitas realidades que vemos. E assim, com nossas crenças a respeito do bem e do mal, vamos construindo ora sonhos, ora pesadelos. Nisto se resume minha alegria e meu medo.

O sonho me traz desejos de resolver essa questão de meu ex namorado. A de aceitar como dada essa minha enorme vontade de encontrar um espaço, ao menos onírico, astral, onde podemos não temer o que sempre quisemos: Nos amar e não precisar estar atados a crenças, a normas de conduta. Apenas deixar nossas almas serem quem são: eternas e amantes. Livres. O mundo manifesto nos contaminou com obrigações, e lá nos astral podemos passar a noite juntos e tudo estar bem.

A segunda sequencia do sonho me reporta às possibilidades de construção da realidade. Pela lei Hermética de “Assim encima como embaixo” o astral, assim como o mundo onírico e a mente humana (consciente ou inconsciente), é (são) o espaço(s) onde a realidade está sendo construída. A grande guerra que lá está acontecendo me faz ver como tenho percebido o mundo agora.

Havia algo não visível no céu. E era sujeito de ataque. Seriam ET’s? Existe uma parcela considerável de pessoas, pessoas boas, que acreditam na existência de outras raças estelares. Estariam construindo estas pessoas a esta nova realidade? pela lei da atração e da criação seria perfeitamente possível. Seriam esses seres os nossos inimigos? Pela crença construtiva de mais um outro tanto de pessoas, seriam. O que justificaria as nuvens e as batalhas no céu. E também o fogo na terra. Fogo que transmuta e modifica tudo. Essa transmutação e a cidade esfumaçada, em uma proporção desmedida, me reportam ao apocalipse: final dos tempos! E também à Era de Aquário, cuja transição necessita de transmutação. (fogo, ET’s).

E a grande questão pessoal é: no que Eu acredito? O que Eu ando construindo? Me livrar de sonhos apocalíticos de infância levou anos de terapia. Um amigo diria sonhos escatológicos. Perfeito! Este apocalipse não me soou assustador. Me parecia necessário. Necessário destruir minhas crenças, meus lugares comuns, como a região inacabada do hospital, o lugar errado de esperar pela saída deste lugar. O guerra destruiu com os destroços dos caças abatidos toda aquela região. E eu consegui sair viva e sem ferimentos. Tinha meu complemento masculino comigo. Meigo, cuidador, amoroso.

A guerra trouxe também o sentido de responsabilidade por minhas criaturas e criações. A preocupação com os filhos, simbolicamente é a preocupação com a minha continuidade. Optar por ir em busca dos que amo e deixar uma relação mais íntima ao lado me trouxe um quê de maturidade, em detrimento de certa tristeza.

Outra possibilidade, baseada na lei da criação coletiva, me trouxe a ideia de que o que estava por trás da nuvens e não visível, seria na realidade uma grande guerra que está sendo travada no mundo real. A guerra de informação. E desinformação. A mídia que esconde fatos reais, pessoas  e corporações que distorcem a informação, utilização de informação pessoal para o mercado…e assim por diante. Esta semana me disseram: ” A terceira guerra mundial já começou. Ela é a guerra da informação”. Não resta dúvida que isto está de fato acontecendo. E todos nós vamos alimentando esta guerra cotidianamente. Não nos damos conta do quanto reproduzimos informações falsas, distorcidas, com interesses diversos.

Eu poderia encontrar mais elementos de construções da realidade caótica neste meu sonho. Creio que estes são suficientes para gastar alguns neurônios. Somos crianças brincando de criar, inconscientes de nosso potencial criativo. Ora, como Shiva, construindo, ora destruindo. Deuses perdidos em crenças e dogmas.

Lembro-m e da citação bíblica: Pai, perdoa-os. Eles não sabem o que fazem! 

Add a comment julho 12, 2013

So weird

Sonhei com um Tigre daqueles lindos do filme “as aventuras de PI”.
O tigre estava sendo escondido no guarda roupa velho no antigo quarto da minha bisa na casa da minha avó q era onde dormíamos quando a visitávamos.
Mas o dono do quarto era o Marcelo, filho de uma super amiga minha, de Campinas. Temos uma história e tanto juntos. E ele ainda era jovem.
A história é a seguinte: o Tigre ficava preso dentro do guarda roupa durante o dia e o Marcelo o soltava no hora de dormir mas eu tinha medo dessa rotina do Marcelo pois em minha cabeça o Tigre poderia devorá-lo à noite.
Aí parei no num canto do quarto e sabia que aquilo era um sonho e comecei a interpretar os sinais ali mesmo!
Achei tão estranho.

IRL – Tigre é um bicho que você gosta de expressar e seus sonhos…
Não é a primeira vez…lembro do seu sonho do Tigre Branco…
Uma visão xamânica: 
“Em todas as tradições xamânicas os animais são vistos como arquétipos, símbolos de energias que existem e que podemos encontrar e manifestar dentro de nós. 

E como arquétipos energéticos, cada pessoa tem seu “Animal de Poder”, “Animal Negro”, “Animal Dourado” e seu “Animal Alado”, que correspondem às características que aquela pessoa necessita desenvolver, aprender e manifestar em si, em determinado momento de sua vida. ”

Animal de poder =  mascaras do ego
Animal negro = nossa sombra, capacidade de combater o mal
Animal dourado = cura interna
Animal alado = Nosso animal espiritual. Ele traz a visão transcendente da situação e o poder para resolvê-la. Nos ajudando a ir além de nossa visão pessoal, a encontrar as soluções através dos arquétipos, forças sagradas e divinas. 
É muito importante estarmos atentos aos sinais e mensagens que o arquétipo do animal está nos passando. Eles podem aparecer em sonhos, jornadas, no dia a dia, na mente, através de um filme, desenhos, pinturas, ou através de outros meios. 
TIGRE 
O Tigre é o animal mais feroz, enfrenta inclusive o Leão, que é considerado o rei das florestas. Ele é um animal felino. Representa beleza, vaidade, astúcia, inteligência e coragem. Um caçador nato, porém solitário e silencioso. 
De tão grande, ele chegando a medir em média três metros de comprimento e a pesar quase quatrocentos e sessenta quilos. 
No Xamanismo Ancestral o Tigre possui um simbolismo muito importante, ele serve de acento para Shiva Shankara, o Pai-Céu, significando que Shiva dominou às forças da natureza! 
O Tigre é um animal de aproximação lenta, de preparação cuidadosa e que aproveita as oportunidades para atacar, chegando a alcançar oitenta quilômetros por hora em suas cassadas. 
Por ser possuidor de uma força muscular imensa, é capaz de correr distâncias para perseguir suas presas. Ele estuda suas presas e também seus inimigos. Possui uma audição fora do comum, olfato aguçadíssimo e visão seis vezes maior que a do ser humano, principalmente à noite. 
Este animal nos ensina a ter foco na vida e paciência. É um animal independente e muito confiante. 
Essas são as informações xamânicas…
Primeiro, essa história e tanto que você teve com o Marcelo…O que houve que faz você temer tanto? O que há escondido no armário que você teme, que ameaça a vida daquele aspecto que o Marcelo representa? É obvio que o Tigre é uma parte sua, sua possibilidade de expressão, sua força contra o “mal”, sua espiritualidade. Sua fortaleza. 
Pelo jeito é um componente ancestral, porque está lá guardado no armário da bisa…quantas mulheres da família ainda colaboram para que seu tigre fique preso.
O Marcelo tem algo que liberta essa sua fortaleza. Mas esse seu aspecto pode ser ameaçador. Você teme pelo Marcelo, que parece estar responsável pela liberdade de seu tigre. Olha que contra senso. Bem, somos todos assim.
O que te liberta corre risco, e o risco é dado pela tua liberdade.
Maluco, né?
De qualquer forma é algo que você tem consciência, porque sabia que era um sonho. O sonho dentro do sonho. Inception.
O Início de tudo. Tem capacidade pra diferenciar o real do sonhado. mas não tanto, porque continua a sonhar quando faz interpretações do símbolo.
Creio que tem a ver (agora é meu insigth) com sua personalidade e suas máscaras. O que de fato é real? Esse seu lado aquariano que quer inovações, que se esforça para perpetuar a “liberdade” alcançada, ou o lado aquariano que se apega ao que já não é mais, ao que passou em tempos distantes, tão antigos quanto o armário de sua bisa? Qual é o tigre que está sendo libertado no escuro? 
Maybe booth…
bjs

Add a comment julho 5, 2013

Harmonia absoluta

Há algum tempo que deixei de registrar meus sonhos. Medo de olhar para o que eles me dizem? Cansada de ler e reler mensagens do que foi, é e será? Das mensagens sobre a minha eternidade?

E é só você me aparecer em sonho que tudo volta a ficar nebuloso. Minha ascendência em gêmeos há de me matar. Vou morrer sem saber se caso ou se compro uma bicicleta.

Estranha essa minha mania de entregar meu poder a outros. Karma? Culpa? Memória genética? Será que uma boa Constelação familiar me devolveria minha essência e eu poderia, enfim, parar de esperar?

Esta espera me foi eternizada em um sonho. Sonho fragmentado de uns bons anos atrás. Da época em que eu não me via sonhadora. Não tinha me dado conta desta capacidade, deste gift.

Antes de 2000, muito antes…

“Eu me vejo como uma velha prostituta, gerenciando um bordel. Várias meninas sob a minha responsabilidade. os outro me diziam que eu era velha. Eu não me sentia assim. Lembro-me do moço lindo, entrando pela casa em busca de diversão. Tinha a pele bem clarinha e os cabelos bem negros. Recordo-me que me apaixonei intensamente por ele. Tenho a nítida percepção de que ele também estava se interessando, mas por uma das meninas novinhas da casa. Foi um sonho muito rápido e muito intenso. Sentimentos puros. Ainda muita paixão e esperança.

Um lapso acontece e me vejo em outro lugar. Continuo a velha prostituta, agora fazendo ponto em uma esquina. Parecia o movimento do que eu imagino ser o início do século passado. Eu estava na rua, havia um pregador fazendo um discurso sobre o fim do mundo. Lembro-me de um carro parando e o moço, agora casado com a menina nova do bordel, despendem-se de mim. Estão partindo da cidade para uma nova vida. Ao sair com o carro, duas crianças, uma menininha e um menininho, seus filhos, ficam a olhar pra mim pela janelinha de trás.

Volto a fazer o ponto na rua e vejo no horizonte um cometa passando lento no entardecer do céu. A voz estridente do pastor anunciando o fim de tudo. Olho para o cometa e tenho a certeza de que tudo é eterno e que essa espera nunca terá fim.”

Nesse tempo, já acordada, apenas a impressão muito forte de todos esses sentimentos.

Em 2000 passei por uma crise no casamento que muito parecia o fim do mundo mesmo. E nem sei como fui parar em uma terapia chamada Renascimento. Respiramos, respiramos em dois tempos, sem pausa, e entramos em alcalose.  Explicações fisiológicas à parte, consegui reviver logo na minha primeira sessão, o meu nascimento físico. Sensações energéticas desmedidas. Sentia a pressão da minha cabeça sobre uma superfície dura, como se eu estivesse mesmo forçando meu nascimento. Vi uma enfermeira me dizendo que era necessário cuidar de todas as crianças que nasciam no mundo, do quanto era importante que elas fossem bem acolhidas neste momento.

Na segunda sessão, vi minha mãe, já falecida em sua forma de Luz. Acompanha de duas crianças. Duas meninas também falecidas. Nenhuma das duas conhecidas, não desta vida. Mas eu sabia quem elas eram. Também em forma de Luz, as duas.

Na terceira sessão, me vejo, depois de muito respirar, o lapso de tempo perdido do sonho. É o momento em que me vejo discutindo com o moço do bordel. Ele estava me deixando para se casar com a moça nova. Foi uma das sensações  mais intensas de emoções retornando. Eu estava ali, com ele, brigando, querendo que ele não me deixasse. Era muito doloroso tudo aquilo. Quando voltei e me acalmei dessa dor de respirar, tive certeza de que nunca havia sido apenas um sonho. Memórias que me aprisionavam a uma forma de ver a vida sem esperança. Como uma enfadonha eternidade de repetição de padrões. Esperando mais um fim do mundo, ou de uma encarnação em um mundo de pessoas absurdas que culpabilizam o outro e tentam salvar almas alheias, como o pastor pregando na rua pretendia.

Dizem que um momento traumático fica impresso em nosso corpo sutil emocional. E esse trauma pode ser algo banal, como o abandono de um amor, mas que para o ser que passa por essa experiência, pode ser uma cicatriz profunda. Creio que meu sonho começou, entre outros tantos, a me preparar para o dom de sonhar. A memória liberada na sessão de Renascimento também era mais uma prova da eternidade a mim concebida. Hora de desapegar e saber-se eterna.

Hoje, após sonhar com você, também meu companheiro de outra vida, luto para não me entregar ao tédio de me ver esperando mais esta fase terminar. Você sempre foi muito intenso desde que surgiu em minha vida.

Essa minha indecisão geminiana me reporta a questão do desapego – falso – que alguma pessoas insistem em me dizer. Desapegue-se. Talvez eu tenha que revelar o que anda faltando nesta história de nós dois que anda impressa em mim. Você me visitar no mundo astral-onírico, real demais por sinal, não fala do meu apego. Me fala que ainda não está finito. Temos toda a eternidade pra entender o que for necessário. Mas sinto falta de tua alma amiga. Eu sei que você está aí, aqui e  sempre. Eu sei de tudo isso. Eu só não quero mais ficar na esquina esperando o fim de tudo, ouvindo loucuras e longe de tudo o que amo.

Eu tentei. Cada história, um compromisso. Cada compromisso, um amor.

Add a comment abril 19, 2013

Libertação

O Caminho da Libertação é longo e estranho.

Um caminho que vai te levar ao infinito, à todas as possibilidades do viver. E quando puderes desconstruir os teus medos, todas essas possibilidades serão de alegria e prazer.

Basta um primeiro passo nessa trilha, que ela se ampliará 5 vezes. Basta estar atento ao caminho. Basta nunca deixar de buscar.

Tendo iniciado minha trilha à alguns anos, e nesta madrugada insone completo mais uma etapa do caminho. Sendo sempre uma buscadora, a cada nova lição, uma oportunidade na vida de aplicá-la. Sempre foi assim. Mas, sou também um ser acostumado às lamentações. Hábito adquirido na vida, convivência com pais, cristãos e afins, que adoram gabar-se de sua cruz. Sem culpabilizá-los nem responsabilizá-los. Foram o que podiam ser. Expressaram o que puderam expressar. Mas, enganados pelo engodo do paraíso além, cultuavam a tristeza, a pobreza e o desmerecimento. Creio que seja destas coisas a maior expressão da libertação. Libertar-se da cruz, da tristeza, da culpabilidade e do medo. Da certeza do premio posteriori.

Existe uma eternidade? Sim, existe. A felicidade está nela, além de nossa experiência humana? Não. A felicidade está aqui, agora, neste instante único que é onde estou sendo. O meu, o nosso, merecimento está aqui. Como filhos e centelhas do criador, temos a mesma luz e a mesma capacidade de construir felicidade. Agora.

A grande libertação é esta.

Hoje, nesta madrugada, me liberto mais uma vez. Mais uma fase vencida, como em um jogo de videogame. Olho para essa mania de lamentar-me e digo um grande e sonoro: Basta!

Basta também à ideia de que tenho que salvar o mundo. Basta à crença que mereço castigo pelos erros cometidos. Como criança e aprendiz, o erro é válido para o crescimento, e não deve ser considerado uma dívida eterna. O Karma é apenas Karma, e a culpa e castigo a ele associados são ideias ocidentais que algumas religiões incorporam para melhor controle.

Como criança erro, e como criança aprendo. Como criança, meus verdadeiros pais, criadores do universo, me permitem brincar de viver. Não mais me culpar. Não mais me redimir de forma degradante, assumindo a responsabilidade dos meus e dos erros alheios.

Basta a esta postura de boa moça, enfermeira, que sofre para diminuir o sofrimento alheio. Posso auxiliar neste processo de retomada da alegria do outro, mas somente contribuindo para a sua libertação. Basta de encaminhar a sombra alheia. Este fantasma é seu, meu querido. Esta sombra é tua e você é quem tem que lidar com ela.

Liberto-me de sua sombra. E faço isso iluminando a minha. Olhando-a de frente e encarando meu lado sombrio. E expulso tudo o que não é meu. Saiam do meu espaço. Retirem-se com seus traumas e seus problemas. Busquem a sua libertação e, parodiando Neruda, deixem de em mim se buscar como se a mim houvessem perdido. Busquem-se em si mesmos. A resposta está, como semente, aguardando o momento de nascer, o momento de seu próprio renascimento em flor, dentro de cada um de vocês.

Deixem-me respirar, porque vossa culpa e vosso medo se refletem nos meus. E à partir deste instante, mais uma libertação!

1 comentário fevereiro 18, 2013

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